O líder do Governo de Acordo Nacional da Líbia confirmou nesta quinta-feira (16) que participará de uma conferência internacional em Berlim para lançar um processo de paz, e seu rival do leste, o marechal rebelde Khalifa Haftar, se declarou disposto, "a princípio", a comparecer.

Tanto o chefe do Governo de Acordo Nacional líbio (GNA), baseado em Trípoli (oeste), Fayez al Sarraj, como o marechal Khalifa Haftar, homem forte do leste, informaram sobre suas posições, enquanto se realizou um cessar-fogo no domingo que vem sendo respeitado pelas partes.

Temendo uma internacionalização do conflito na Líbia e que haja um aumento nas chegadas de migrantes, os europeus redobraram os esforços para solucionar a situação no país, principalmente com a organização de uma conferência em Berlim sob os auspícios da ONU.

Na capital líbia, Trípoli, Fayez al Sarraj confirmou na quinta-feira, por meio de sua assessoria de imprensa, que irá à conferência.

Em Bengasi (leste), seu rival, o marechal Haftar, recebeu o ministro alemão das Relações Exteriores, Heiko Maas.

Haftar "concordou em respeitar o cessar-fogo em curso" e "deixou claro que deseja contribuir para o sucesso da conferência líbia em Berlim e, em princípio, está disposto a participar dela", twittou o ministro alemão depois de encontrá-lo.

O marechal Haftar, que controla uma parte importante dos recursos energéticos da Líbia, deixou Moscou no domingo sem assinar o acordo de cessar fogo, após reuniões promovidas por Rússia e Turquia, que apoiam Haftar e Al Sarraj respectivamente.

Al Sarraj assinou o acordo em Moscou, mas não se reuniu diretamente com Haftar em momento algum.

Antes dessa conferência em Berlim, Haftar viajou nesta quinta-feira a Atenas para se reunir com o presidente e o primeiro-ministro gregos, que o apoiam.

- Impedir as ingerências -

Vários países serão representados em Berlim, incluindo Rússia, Turquia, Estados Unidos, China, Itália e França.

O objetivo principal da conferência consiste em consolidar a trégua sobre o terreno e, sobretudo, impedir ingerências estrangeiras na Líbia, especialmente por meio de apoio militar. Nesse sentido, se proporá um embargo às armas, segundo Berlim.

A Líbia, que conta com as reservas de petróleo mais importantes da África, está imersa em violência e disputas pelo poder desde a queda do regime de Muamar Kadhafi em 2011, depois de uma revolta popular e uma intervenção militar dirigida por França, Reino Unido e Estados Unidos.

Em abril de 2019, as forças pró-Haftar lançaram uma ofensiva para conquistar Trípoli. Mais de 280 civis morreram desde então, assim como mais de 2.000 combatentes, segundo a ONU. Cerca de 146.000 pessoas tiveram que fugir dos combates.

O cessar-fogo é relativamente respeitado apesar de ambos os lados se acusarem mutuamente de violá-lo.

Na terça-feira, o chefe da diplomacia da União Europeia, Josep Borrell, denunciou "a implicação militar" de Moscou a Ancara na Líbia e comparou esse conflito ao da Síria.

"Dizemos que não há solução militar para o conflito. Mas isso já dissemos para a guerra síria. E o que assistimos na Síria? A uma solução militar. A mesma situação poderá ser reproduzida na Líbia", advertiu.

Ancara mobilizou militares em janeiro para apoiar o governo reconhecido (GNA) de Fayez al Sarraj, enquanto que a Rússia, apesar de suas negativas, é suspeita de apoiar as tropas do marechal Haftar com o fornecimento de armas e a chegada de mercenários.

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