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Palestinos participam de um funeral de três membros do grupo islamita Hamas, na Cisjordânia, em 22 de março de 2014.

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Os militantes do grupo islamita palestino Hamas são, ao mesmo tempo, onipresentes e invisíveis na Faixa de Gaza, no entanto são facilmente encontrados na rádio e nas redes sociais, que se converteram em sua arma de sedução das massas.

No território palestino, os combatentes do Hamas jamais são vistos durante os combates, embora tenham lançado mais de 3.000 foguetes em direção a Israel desde 8 de julho, segundo o exército israelense, alguns, inclusive, a partir do bairro onde se alojam os jornalistas estrangeiros.

Mesmo após os bombardeios israelenses em setores sensíveis do território, os combatentes brilharam por sua ausência, escondidos nos túneis que atravessam as entranhas da Faixa ou à paisana.

Israel, cuja operação "Barreira Protetora" pretendia destruir este mundo subterrâneo, acusa o "movimento de resistência islâmica", nome oficial do Hamas, de utilizar os moradores de Gaza como escudos humanos.

Dos mais de 1.800 mortos pelos bombardeios aéreos e terrestres israelenses, 85% são civis, segundo um balanço da ONU.

Um dia após um bombardeio noturno dizimar uma família, embora também um suposto militante do Hamas, em Jabaliya, homens à paisana esperavam diante do necrotério do hospital.

Quando as portas se abriram, entraram para envolver um dos muitos corpos ensanguentados com a bandeira verde do Hamas e iniciar imediatamente uma procissão pelas ruas empoeiradas e destruídas.

Telefones desligados

Embora às vezes seja possível ver alguns dos integrantes, seus líderes desapareceram completamente dos radares. Alguns escaparam da morte em conflitos anteriores, outros viram Israel bombardear suas casas durante a guerra e depois desapareceram com os telefones desligados.

Apenas os porta-vozes do movimento ofereceram coletivas de imprensa improvisadas. Os líderes recuaram para as redes sociais para publicar com regularidade exemplar declarações glorificando a resistência a Israel e as conquistas militares das brigadas de Ezedine al-Qassam, o braço armado do Hamas.

Cada vez que o Facebook desabilitava suas páginas, ao menos em duas ocasiões durante a guerra, o Hamas abria outras, divulgando em tempo real os detalhes de suas operações, suas reivindicações ou os últimos acontecimentos sobre os bombardeios das casas de seus líderes.

Nesta guerra de informação, o Hamas pode contar com a rede Al-Aqsa, que inundou a população com imagens sangrentas e vídeos de propaganda da Al-Qasam: combatentes encapuzados saindo e entrando dos túneis, treinando artes marciais ou operações no mar.

Batalha psicológica

"Faz parte de nossa batalha midiática e psicológica", afirma um líder do Hamas que pede o anonimato.

Ao mesmo tempo, nem mesmo uma imagem em tempo real dos combatentes foi publicada. As brigadas Al-Qasam divulgaram um comunicado ameaçando todo aquele que divulgasse fotos dos lança-foguetes múltiplos. Alguns, abandonados, podem inclusive ser encontrados nos caminhos.

Mas após a destruição da única central elétrica da Faixa de Gaza, bombardeada no fim de julho pelo exército israelense, ver televisão se converteu em um autêntico luxo. Todos ouvem rádio.

"Nossa televisão é agora para uso externo, para os palestinos na Cisjordânia, no Egito, na Argélia. Em Gaza, as pessoas ouvem rádio e diria que a metade da população escuta nossa frequência", explica à AFP Mohamed Thuraya, diretor da rede Al-Aqsa.

"A resistência deve estar no coração e no espírito do povo, daí a importância da imprensa. As pessoas têm que saber que os sionistas matam as crianças, os professores, os pais", afirma.

"A rádio Al-Aqsa é, de longe, a mais rápida", declara Ahmed Nasir, morador de Gaza de vinte anos.

"Mas não diz toda a verdade", declara outro jovem habitante, acrescentando que "a Al-Aqsa faz muita propaganda".

AFP