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Ambulância se dirige a local bombardeado em Gaza, em 27 de julho de 2014

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O Hamas aceitou finalmente uma trégua de 24 horas, criando a esperança de uma pausa duradoura nos combates na Faixa de Gaza com a aproximação do fim do Ramadã, embora os ataques israelenses prosseguissem na tarde deste domingo.

Pouco antes, o exército israelense havia anunciado o fim da trégua humanitária, que respeitava desde sábado, e retomou suas operações "por ar, mar e terra" para responder aos 25 foguetes disparados pelo Movimento de Resistência Islâmica (Hamas).

Os serviços de socorro anunciaram a morte de ao menos nove habitantes, incluindo uma mulher, após a retomada dos bombardeios israelenses no sul e no norte do território, onde mais de 1.050 palestinos, principalmente civis, morreram desde o início da operação israelense "Barreira Protetora" no dia 8 de julho.

Pouco depois, ao meio-dia local, o porta-voz do Hamas, Sami Abu Zuhri, declarou: "Em resposta ao pedido urgente da ONU de controlar a situação de nosso povoado antes do Aid el-Fitr, os movimentos da Resistência (palestina) aceitaram uma trégua humanitária de 24 horas que começa às 14h00 (08h00 de Brasília) de hoje (domingo)".

A grande festa do Fitr, que marca o fim do mês do jejum do Ramadã, começará na segunda ou terça-feira.

Israel reagiu a este anúncio acusando o Hamas de violar o cessar-fogo que ele mesmo pediu e afirmando que as operações israelenses em Gaza irão prosseguir.

"Eles estão violando seu próprio cessar-fogo. Sob estas circunstâncias, Israel vai fazer o que for necessário para defender seu povo", declarou o primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, à rede de televisão CNN.

Netanyahu ressaltou ainda que as forças de seu país continuarão com suas operações para tentar desmantelar a rede de túneis que o Hamas construiu na fronteira e destruir seus depósitos de foguetes.

"Não vou falar sobre uma operação militar específica", disse, acrescentando que "Israel está fazendo o que qualquer outro país faria e o que os Estados Unidos fariam se qualquer parte de seu país estivesse sob fogo e você tivesse 60 ou 90 segundos para chegar a um refúgio".

"Claro que queremos deixar de disparar foguetes. Queremos desmantelar o túnel, a rede de túneis terroristas que descobrimos. Não sei se teremos êxito total", admitiu.

No sábado, o Hamas, que controla a Faixa de Gaza desde 2007, continuava exigindo que antes de qualquer cessar-fogo os soldados israelenses se retirassem do território.

Em um comunicado, o exército israelense disse ter matado 320 combatentes do Hamas desde o início da guerra.

Os túneis do Hamas

Ainda que seja alcançada uma trégua duradoura, persistem as divergências em vários pontos.

Israel, que anunciou ter atacado 3.600 instalações terroristas desde 8 de julho, quer levar até o fim sua missão de neutralização dos túneis ofensivos construídos pelo Hamas e por sua aliada, a Jihad Islâmica.

Os túneis são utilizados para lançar ataques contra Israel e esconder seu arsenal e seus centros de operações. Para destruí-los, os responsáveis pelo Estado hebreu explicam que precisam estar na zona.

O exército descobriu 30 passagens subterrâneas e declarou na manhã deste domingo que havia destruído o túnel que foi utilizado por um comando do Hamas responsável pela morte de sete soldados no dia 20 de julho nos combates.

Por sua vez, o Egito anunciou ter descoberto 13 túneis que uniam a Península do Sinai com a Faixa de Gaza, que o Hamas teria utilizado para transportar combustível, suprimentos, armas e dinheiro à Faixa de Gaza.

Mais de 1.050 palestinos morreram em Gaza, em sua grande maioria civis, desde o lançamento da operação "Barreira Protetora", segundo os serviços de urgência locais. Outros 6.000 ficaram feridos.

Com as últimas baixas chega a 43 o número total de soldados israelenses mortos nos últimos nove dias. Dois civis israelenses e um agricultor tailandês também faleceram pelos foguetes palestinos.

AFP