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Pessoas protestam contra ação israelense na Faixa de Gaza e em apoio ao povo palestino em frente ao Consulado israelense em Los Angeles, California, em 2 de agosto de 2014

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O Hamas surpreendeu o mundo com sua resistência e força de ataque durante o atual conflito com Israel na Faixa de Gaza, ganhando popularidade entre os palestinos, o que ainda não se traduz em uma vitória política, segundo os analistas.

Apesar das perdas sofridas em Gaza, os combatentes do Hamas, em torno de 20.000 homens, registraram "sucessos tangíveis" em sua batalha contra o exército israelense, consideram os especialistas.

E essas conquistas militares poderiam se converter em vantagem política, explica Adnan Abu Amir, professor de ciência política na Universidade de Al-Umma, em Gaza.

Este retorno à cena política é oportuno para o movimento islâmico palestino ligado à Irmandade Muçulmana egípcia. O Hamas sofreu um duro golpe quando o exército egípcio derrubou o presidente Mohamed Mursi, pertencente à influente confraria e que havia conseguido obter uma trégua na Faixa de Gaza em 2012.

"A guerra reposicionou o Hamas na frente da cena política regional e internacional", retirando-o de seu isolamento e crise financeira, afirma Abu Amir.

Neste último conflito, o grupo infligiu ao exército israelense suas mais pesadas baixas desde o conflito entre Israel e o Hezbollah em 2006.

Neste sentido, "sua popularidade cresceu entre os palestinos e árabes em geral", aponta Jamal al-Fadi, cientista político da Universidade de Gaza.

Presente na lista negra de organizações "terroristas" dos Estados Unidos e da União Europeia, o Hamas venceu em 2006 as eleições legislativas palestinas antes de tomar o controle de Gaza um ano depois.

Estrangulado pelo bloqueio israelense e enfraquecido após a súbita mudança de regime no Egito, o movimento islâmico que nasceu em 1987 acordou recentemente em participar de um governo de unidade nacional, que reúne as lideranças na Cisjordânia e em Gaza.

Habitantes de Gaza jamais esquecem

Desde o início da guerra em Gaza, seu braço armado disparou mais de 3.000 foguetes contra várias cidades israelenses, causando pânico inclusive em Tel Aviv ou no aeroporto de Ben Gurion. Mas também saiu perdendo com a destruição de seus túneis subterrâneos, utilizados para o transporte de equipamentos e homens para dentro e fora do enclave.

O exército de Israel garantiu ter destruído "todos os túneis identificados", cumprindo assim seu objetivo número um nesta guerra, e matando cerca de 900 "terroristas".

Mas para Paul Schulte, especialista em segurança no Kings College de Londres, o movimento islâmico não foi capaz de alcançar qualquer um dos seus objetivos.

O Hamas se encontra em uma posição "promissora e os habitantes de Gaza não vão esquecer jamais" esta última guerra, conclui.

Certamente, a sua popularidade aumentou porque o grupo "ganhou a confiança das pessoas ao levar adiante o pedido pelo fim do bloqueio" ao território, segundo o cientista político Wajih Abu Zarifa, mas esta popularidade tem duas faces: "pessoas se sacrificaram, é preciso que os ganhos façam valer esses sacrifícios".

Para isso, o Hamas deve rapidamente "avançar para uma solução política, porque os palestinos estão fartos e chegando a seu limite de resistência", observa Fadi.

Para George Giacaman, professor da Universidade de Bir Zeit e diretor do Instituto para o Estudo da Democracia com sede em Ramallah, "ainda é muito cedo para falar sobre ganhos para o Hamas, pois depende muito da realização de seus pedidos" após as negociações no Cairo.

Ao mesmo tempo, o Hamas deverá se envolver mais na reconciliação com Organização para a Libertação da Palestina (OLP), cujo primeiro passo foi o nascimento de um governo de unidade nacional para acabar com o divisão nascida em 2007 entre as direções na Cisjordânia e em Gaza.

E, para estabelecer-se como "o movimento nacional palestino", ele deverá "se afastar da Irmandade Muçulmana, proibida em vários países árabes", acredita Abu Zarifa.

Esta também é a condição para uma reaproximação com o Egito, tradicional mediador das negociações sobre Gaza.

AFP