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Enfermeiro empurra cadeira de paciente do centro médico para tratamento da hanseníase em Pobe, no Benim, em 12 de janeiro de 2017

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Quando chegou ao centro médico em Pobe, no leste de Benim, Folahan tinha o rosto coberto de nódulos, um sintoma da hanseníase. Ela é uma das 210.000 pacientes diagnosticados no mundo com essa doença, que acreditava-se erradicada.

Esta camponesa, que não sabe sua idade, foi imediatamente submetida a tratamento. Se tomar corretamente a medicação durante um ano e não tiver reações, conseguirá se curar.

Seu filho de quatro anos também terá que ser tratado, porque a hanseníase - também chamada de lepra, um termo que ficou estigmatizado - é altamente infecciosa.

A hanseníase é geralmente associada à Idade Média, assim como a varíola e a peste bubônica.

A doença, que ataca a pele e os nervos e cria lesões irreversíveis nas mãos, pés e olhos, é transmitida pelo contato próximo entre as pessoas, particularmente aqueles que vivem na pobreza.

Em 2000, a Organização Mundial da Saúde disse que a hanseníase já não era um problema de saúde pública, com uma taxa de prevalência mundial de menos de um caso por cada 10.000 pessoas.

Em Benim, porém, a doença não está erradicada, e a cada ano são registrados entre 150 e 200 novos casos, 10% deles em crianças - um dado estável há 10 anos.

"É certo que a lepra afeta menos pessoas do que a malária. Mas aqui, 25% dos casos detectados já evoluíram para deficiências graves e invalidantes", diz Roch Christian Johnson, presidente da Associação Mundial contra a Hanseníase, em visita a Benim, seu país de origem.

O Centro de Diagnóstico de Pobe foi construído em 2000 em torno de um antigo leprosário, localizado no centro da cidade, pela Fundação Raoul Follereau, uma organização beneficente francesa.

"Tarde demais"

Pobe fica em uma zona endêmica fronteiriça com a Nigéria, o país mais populoso do continente, que registra 4.000 casos de hanseníase por ano.

"Os pacientes sempre chegam tarde demais, quando as feridas já estão gangrenadas", lamenta Thierry Gateau, diretor do centro de Pobe.

Nesta zona rural, os afetados pela doença quase sempre são camponeses.

É o caso de Pascal Boton, que foi diagnosticado há cerca de 20 anos. "As enfermeiras vinham me dar o remédio, e depois pararam de vir", disse à AFP.

Sem acompanhamento regular, as sequelas pioraram, e um de seus pés acabou ficando deformado. Ele continua trabalhando na terra, seu único recurso, mas quando se machuca, não sente nada. Se o pé infeccionar, terá que ser amputado.

O objetivo é detectar a hanseníase o quanto antes. As equipes móveis percorrem os povoados coletando amostras, que depois são analisadas no laboratório do centro.

Uma maldição

"Aqui, a lepra é associada a uma maldição, então fingimos que viemos estudar doenças de pele", explica a médica francesa Annick Chauty, que vive em Pobe há 15 anos.

Pessoas com hanseníase, muitas delas incapacitadas pela doença, veem suas casas serem derrubadas e seus campos destruídos. Esposas são expulsas de suas casas.

Em Benim, "acredita-se que é uma doença causada pela má sorte", acrescentou Ambroise Adeye, cirurgião da fundação e do hospital público da cidade.

"As pessoas com lepra primeiro vão ver os curandeiros tradicionais, e isso piora as coisas, então elas têm que economizar para pagar uma consulta", acrescentou.

Mas o tratamento da hanseníase, que consiste em um ciclo de três antibióticos, é gratuito e prescrito em clínicas públicas em todo o país.

Para divulgar o tratamento, o Programa Nacional contra a Hanseníase, dirigido pelo Ministério da Saúde, transmite mensagens em rádios comunitárias e realiza programas de conscientização.

Oladélé, de 24 anos, foi curado há três anos. As únicas sequelas da doença são seus dedos ligeiramente encurvados. Hoje, este jovem barbeiro trabalha em um salão recém-inaugurado em Pobe.

"Eu não quero voltar para o campo. O centro me ofereceu formação, e eu escolhi ser cabeleireiro", disse.

Para Gateau, é possível erradicar este mal, mas apenas sob uma condição: "O país precisa se desenvolver. A lepra continua sendo uma doença da pobreza", diz.

AFP