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A ex-secretária de Estado Hillary Clinton admite ter ficado em 'estado de choque' com derrota eleitoral para Trump

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A ex-secretária de Estado americana Hillary Clinton, de 69, disse nesta terça-feira (12) "não ter dúvida" de que assessores próximos do então candidato Donald Trump ajudaram a Rússia a interferir na eleição presidencial de 2016 nos Estados Unidos.

Em entrevista ao jornal "USA Today", Hillary disse que "certamente, houve um entendimento de algum tipo", assim como comunicação direta, entre a equipe de Trump (ou seus associados) e Moscou.

"Não há dúvida, na minha cabeça, de que tem um emaranhado de relações financeiras entre Trump e sua operação com dinheiro russo", frisou.

A conversa com o jornal foi publicada apenas horas antes do lançamento do livro de memórias da democrata sobre a última campanha - "What Happened" ("O que aconteceu", em tradução livre).

"E não há dúvida, na minha cabeça, de que a campanha de Trump e outros associados realmente trabalharam duro para esconder suas conexões com os russos", completou.

Os laços entre a campanha de Trump e o governo russo estão sob investigação do procurador especial Robert Mueller e de várias comissões do Congresso americano.

As declarações de Hillary em diferentes entrevistas junto com o lançamento de seu livro buscam amplificar a mensagem de suas confissões de campanha: a de que uma série de forças externas conspirou para evitar que ela se tornasse a primeira mulher presidente dos EUA.

"Houve todas essas forças externas vindo direto para cima de mim até o fim", disse à National Public Radio (NPR).

- Comey e Sanders -

Entre essas forças, a ex-candidata aponta a incansável investigação, por parte do FBI, sobre seus e-mails; e o anúncio feito pelo então diretor do órgão, James Comey, apenas 11 dias antes da eleição, de que a agência estava reabrindo a investigação sobre o uso de uma conta de e-mail e de um servidor privados durante sua gestão no Departamento de Estado.

"Depois da carta de Comey, meu 'momentum' parou", disse Hillary à NPR.

"Meus números caíram, enquanto tentávamos resolver tudo, e não tínhamos tempo", completou.

Hillary também reclamou de seu oponente democrata, o pré-candidato Bernie Sanders, por nunca tê-la apoiado de verdade.

"Não tive nada parecido com respeito da parte de Sanders, nem de seus simpatizantes. E isso dói", desabafou ela ao podcast Pod Save America.

Apesar da derrota nas eleições de novembro, a democrata garante que não vai sair de cena rumo ao ostracismo. Hillary fará um tour de lançamento, com 15 paradas, não apenas para alavancar as vendas, mas para se promover como uma proeminente figura da vida política americana.

Em suas memórias, ela assume sua parcela de responsabilidade pela derrota. "Meus erros me queimam por dentro", escreve Hillary.

No livro, a ex-primeira-dama dos EUA - uma sobrevivente política que raramente deu aos americanos uma amostra que fosse de seus pensamentos mais íntimos - mostra um lado mais vulnerável, ao descrever sua fossa pós-eleitoral.

Ela admitiu que não há um único dia em que não pense no motivo de sua derrota e que não tenha "a sensação dolorosa de que eu decepcionei todo mundo".

"Vai ser doloroso por algum tempo", completa.

"Mas não vou ficar amuada, ou desaparecer. Vou fazer tudo que eu puder para apoiar nossos fortes candidatos democratas em todo lugar", prometeu.

- 'Em estado de choque' -

Hillary não recua em sua crítica a Trump, a quem chama de incompetente, indigno e "mentiroso" sexista no livro. Em outro momento de exposição pessoal, ela conta que esperava uma vitória fácil e que ficou em "estado de choque" na noite da eleição.

Para se recuperar, recusou-se a tomar antidepressivos e a fazer terapia, mas bebeu "sua cota justa" de "Chardonnay". Além disso, buscou abrigo na família.

"As pessoas estão cansadas. Alguns estão traumatizados, e outros querem manter o foco na investigação sobre a interferência da Rússia nas eleições", acrescenta.

"Eu entendo tudo isso. Mas é importante entender o que realmente aconteceu. Porque é a única maneira de evitar que aconteça de novo", alega a democrata, sintetizando o título de suas memórias.

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AFP