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A hipopótamo Fiona no zoológico de Cincinnati, no dia 26 de agosto de 2017

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Bei Bei, o panda de Washington, April, a girafa do estado de Nova York, Fiona, o hipopótamo de Cincinnati... um atrás do outro, os zoológicos americanos transformam animais em estrelas midiáticas, uma estratégia emocional bem-sucedida, mas que pode ter consequências.

Fiona, a mais nova favorita dos internautas, nasceu prematura há sete meses e desde o mês passado é a estrela de uma série de vídeos no Facebook, onde agora tem sua própria página. Para o primeiro episódio do "Fiona show", o zoológico de Cincinnati, que compartilha seu crescimento nas redes sociais, prometeu divulgar um vídeo de seu nascimento.

Desde janeiro, os Estados Unidos se apaixonaram por este mamífero adorável e um tanto desajeitado, cujos primeiros passos foram acompanhados como uma novela, com um ritmo regular de altos e baixos.

Em um vídeo publicado pelo zoológico, o animal é visto tomando uma mamadeira no colo de um cuidador quando pesava apenas 13 quilos, enquanto se aninhava com um enorme bichinho de pelúcia.

Com o passar dos dias e o mundo assistindo, Fiona descobriu o gosto pela brincadeira e, finalmente, mergulhou na piscina para se reconciliar com sua mãe, que a havia rejeitado ao nascer.

Ela agora tem 200 kg, um peso mais condizente com seus sete meses de vida.

"Não planejamos transformá-la em uma celebridade, simplesmente aconteceu", disse à AFP Michelle Curley, funcionária do zoológico, explicando que simplesmente buscavam mostrar "transparência" e em pouco tempo o público já tinha se "apaixonado pelo pequeno hipopótamo".

- Mais visitas ao zoo -

A ideia de transformá-la quase em uma estrela de reality show também não veio da instituição, afirmou.

"O Facebook nos procurou com o propósito de fazer um programa sobre Fiona em sua nova plataforma Watch", acrescentou Curley, que diz estar "louca" pelo hipopótamo.

Ela reconhece que o "fator Fiona" vendeu e que as visitas ao zoológico foram "ótimas" este verão, sem ter que gastar nem um dólar com publicidade.

"Os zoológicos utilizam cada vez mais os animais estrelas para atrair o público. Este 'estrelato' graças às redes sociais (...) é uma forma de atrair diretamente os visitantes potenciais", considerou Ivy Collier, uma responsável do instituto Animals and Society.

Nos últimos anos nos Estados Unidos, os nascimentos de animais que vão dos pandas às águias-carecas vem sendo regularmente seguidos por centenas de milhares de internautas graças a câmeras no recinto ou ninho, que transmitem 24 horas por dia.

Collier se diz "otimista sobre o fato de que, além da sensibilização, isto se traduzirá em um interesse mais profundo pela proteção e o bem-estar animal". "É terrivelmente difícil conhecer um urso polar bebê, lindo e esponjoso, e depois vê-lo sendo maltratado", aponta.

"Para mim, é como uma lavagem ecológica", indicou Lisa Moore, socióloga e professora da Universidade de Nova York, ao se referir a uma técnica de mercado que consiste em dar uma imagem a favor do meio ambiente, geralmente superficial.

- Será pior? -

"É totalmente artificial e, paradoxalmente, nos desconecta dos animais, visto que já não precisaremos sair de casa" para estar em contato com eles, afirma.

Segundo a especialista em animais, esta prática poderia piorar no futuro porque não vai parar nos zoológicos. Em breve, indica, "equiparemos os animais com câmeras" em seu habitat natural para estar mais perto deles.

"É preocupante de muitas formas", diz Elizabeth Grauerholz, socióloga da Universidade da Flórida Central. Sobretudo, são "esforços para gerar rendimentos e vender produtos derivados", lamenta.

Elizabeth Hogan, gerente da organização World Animal Protection, com sede em Nova York, opina, no entanto, que nem tudo segue esta tendência. Mas lamenta que estes "vídeos de animais cativos sem contexto dão uma percepção pouco realista dos comportamentos selvagens".

Este "entretenimento", disse, poderia levar ao esquecimento de que "a verdade é que o público nunca deve interagir diretamente com os animais selvagens".

Esta prática, no entanto, não é de hoje nem veio com a internet. Nos anos 1960 e 1970, o gorila Guy se transformou em estrela do zoológico de Londres e da televisão inglesa.

Décadas depois do preto e branco e na era das redes sociais, Fiona tem seguidores em 70 países.

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AFP