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O presidente francês, François Hollande, é visto ao lado do haitiano Michel Martelly, em Porto Príncipe, em 12 de maio de 2015

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Depois de uma histórica viagem a Cuba, o presidente francês, François Hollande, visitou nesta terça-feira o Haiti, onde prometeu a ajuda financeira da França.

Hollande disse ao presidente Michel Martelly que a França financiará um amplo programa para modernizar o sistema educacional do Haiti. "Vocês não estão pedindo ajuda, querem desenvolvimento. Não estão pedindo empréstimos sociais, mas investimentos".

Esse pequeno país caribenho exige da França o reembolso da dívida contraída há dois séculos para obter sua independência.

"Nenhuma negociação, nenhuma compensação pode reparar as feridas da História que ainda nos marcam hoje", disse Martelly a Hollande em um discurso na capital, Porto Príncipe.

"O Haiti não esqueceu, mas o Haiti não é teimoso", amenizou o presidente, na tentativa de pôr fim a um intenso debate no país sobre se é possível reconstruir as relações com sua antiga potência colonial sem as indenizações exigidas.

No século XIX, o Haiti, a primeira república negra da História, teve de pagar indenizações aos ex-colonos franceses para compensar sua perda de receita e obter seu reconhecimento em nível diplomático. Atualmente, essa quantia estaria estimada em 17 bilhões de euros.

Durante o discurso, policiais contiveram dezenas de manifestantes. "Hollande, dinheiro, sim, moralismo, não", diziam alguns cartazes.

Hollande e Martelly visitaram juntos o Museu do Panteão Nacional do Haiti.

Com o objetivo de reforçar as trocas comerciais entre ambos os países, Hollande e Martelly assinaram vários acordos econômicos. Um deles permitirá a Porto Príncipe exportar bananas orgânicas para o mercado europeu.

Primeiro presidente francês a realizar uma visita oficial a essa ex-colônia francesa desde sua independência em 1804, Hollande terminou neste país uma viagem de cinco dias pelo Caribe.

Sobre as críticas na França por seu encontro em Cuba com Fidel Castro, o líder francês garantiu que sua intenção "não foi dar um cheque em branco para ninguém".

"O sentido da viagem não foi dar um cheque em branco para ninguém, foi poder criar entre França e Cuba uma nova etapa de alianças (...) para que Cuba possa ser uma ilha aberta ao mundo", assinalou Hollande em Porto Príncipe.

AFP