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Posto de fronteira de Beni Enzar, entre o Marrocos e o enclave espanhol de Melilla, em março de 2014

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Aos gritos de "Alá é grande", um homem cruzou correndo a fronteira entre Marrocos e Melilla, enclave espanhol naquele país africano, e feriu um policial nesta terça-feira pela manhã (25) - informou um porta-voz da Polícia espanhola.

"A Polícia prendeu um homem que atacou os agentes com uma faca na passagem fronteiriça de Beni Enzar, um deles ferido leve", tuitou o ministro espanhol do Interior, Juan Ignacio Zoido.

Segundo uma porta-voz da delegação do governo em Melilla, o agressor tinha "uma faca de grande dimensão" e seria marroquino.

O ataque aconteceu por volta das 7h35 (2h35 no horário de Brasília), de acordo com o porta-voz da Polícia, que informou que a vítima foi ferida em um dedo da mão.

Um vídeo divulgado pelo ministro, que parece provir de uma câmera de segurança, mostra um homem de bermuda e camisa, atravessando a fronteira com uma faca na mão. Contrariando a declaração da Polícia, na imagem, ele avança a pé, sem correr. A câmera parece não ter filmado o início do ataque.

Policiais se aproximam cautelosamente do indivíduo, e um deles joga uma barreira de plástico, antes que os outros consigam controlá-lo. É neste momento, segundo o jornal "El País", que ele fere um dos agentes.

Em um tuíte, o ministro Ignacio Zoido evocou "um grave incidente", mas evitou falar de ato de terrorismo.

Terceiro destino turístico mundial, a Espanha se mantém relativamente à margem da onda de atentados do Estado Islâmico em grandes cidades europeias, como Paris, Bruxelas e Berlim.

Desde 2015, porém, o país se encontra em estado de alerta nível 4, de um máximo de 5, o que significa que há uma grande probabilidade de atentado terrorista.

Em 11 de março de 2004, a Espanha sofreu os mais letais atentados extremistas cometidos na Europa, quando várias bombas explodiram em vários trens de Madri, deixando 191 mortos. Os ataques foram reivindicados em nome da Al-Qaeda por uma célula islamita radical.

Em 2016, 69 pessoas foram detidas no âmbito da luta contra o terrorismo islamita. Em 2017, já são mais de 35, segundo balanço do Ministério do Interior publicado em sua página on-line em 2 de junho.

A Espanha exerce sua soberania sobre os enclaves de Ceuta e Melilla no Marrocos, desde 1580 e 1496, respectivamente.

Muitos marroquinos vêm e vão diariamente para comprar produtos sem taxação de impostos.

As duas cidades, onde a pobreza e o desemprego são elevados, possuem status de "zona franca", o que contribui para o desenvolvimento econômico e alimenta o contrabando - amplamente tolerado - no norte do Marrocos.

Desde 2005, Ceuta e Melilla lidam com uma forte pressão migratória. Todo ano, milhares de migrantes da África subsaariana tentam entrar nas cidades, portas de entrada para a Europa.

Em 16 de junho passado, um carro avançou em um posto de fronteira com nove imigrantes africanos a bordo, ferindo levemente dois agentes. Um incidente similar aconteceu em março no mesmo local.

AFP