Navigation

Hondurenhos partem em nova caravana migratória para EUA

Migrantes hondurenhos se concentram na principal rodoviária de San Pedro Sula para uma nova caravana rumo aos Estados Unidos. afp_tickers
Este conteúdo foi publicado em 16. janeiro 2019 - 02:12
(AFP)

Dezenas de hondurenhos caminhavam nesta terça-feira em uma nova caravana em direção aos Estados Unidos, que segundo o presidente americano, Donald Trump, será a maior de todas.

"Estamos indo por falta de trabalho e por causa da violência", declarou Juan García, 52 anos, à AFP, enquanto caminhava ao longo da estrada, no escuro e com as roupas encharcadas pela chuva forte.

Pelas redes sociais, pessoas anônimas convocaram a "Caravana migrante de 15 de janeiro", que partiu da rodoviária de San Pedro Sula, a segunda maior cidade de Honduras.

Dois grupos, com cerca de 500 pessoas cada, seguiram para Agua Caliente (noroeste), na fronteira com a Guatemala e na rota para se chegar aos EUA.

A maioria dos emigrantes são homens jovens, mas também há adultos, mulheres e crianças, algumas de colo.

Centenas de emigrantes conseguiram cruzar a fronteira para a Guatemala, após romper um cordão da polícia com cerca de 150 agentes, constatou a AFP.

Do outro lado, após dialogar com policiais guatemaltecos, os emigrantes comemoraram e gritaram "Fora JOH", em referência às iniciais do presidente hondurenho, Juan Orlando Hernández.

Os emigrantes deveriam apresentar às autoridades migratórias guatemaltecas seu documento de identidade, mas a exigência foi ignorada.

A vice-chanceler de Honduras, Nelly Jeréz, informou que 60 menores foram impedidos de sair do país pela fronteira com a Guatemala no trecho de Agua Caliente, incluindo dez crianças desacompanhadas.

"Uma nova grande caravana se dirige para nossa fronteira sul a partir de Honduras. Digam a Nancy e a Chuck (Pelosi e Schumer, líderes democratas no Congresso) que um drone sobrevoando não irá detê-los", tuitou Trump.

"Apenas um muro funcionará. Só uma barreira de aço manterá a segurança do nosso país!" - escreveu Trump, pedindo o fim do "shutdown" que paralisa a administração federal americana há três semanas.

Da rodoviária de San Pedro Sula também partiu a primeira caravana para os Estados Unidos, com cerca de 2 mil hondurenhos, em 13 de outubro, e uma segunda, menor, quatro dias depois.

O movimento foi acompanhado de caravanas semelhantes a partir de El Salvador e Guatemala.

Cerca de 13.000 hondurenhos partiram nessas caravanas, das quais 7.270 retornaram ao país, segundo a chancelaria hondurenha. Onze hondurenhos morreram, sendo o último um rapaz de 23 anos que se separou do grupo e foi atropelado por um trem no México.

Segundo as autoridades de Honduras no México, há cerca de 2.500 hondurenhos em albergues no território mexicano, e apenas 3% deste contingente têm chances de entrar nos Estados Unidos.

- Fugindo da morte -

As primeiras caravanas enfrentaram forte resistência das autoridades dos Estados Unidos para permitir que cruzassem a fronteira e um duro discurso anti-imigração de Trump, que evocou uma "invasão", e inicialmente sugeriu que os soldados poderiam atirar em migrantes se eles eles jogassem pedras no lado americano.

Trump insiste em construir um muro milionário na fronteira com o México para impedir a entrada de imigrantes, mas os democratas no Congresso se recusam a financiá-lo, um impasse nas negociações que causaram a mais longa paralisação orçamentária do governo federal.

Na quinta-feira passada, ao visitar a fronteira na região de McAllen, Texas, Trump reclamou que "Honduras, Guatemala e El Salvador não fazem nada pelos Estados Unidos" para impedir a emigração e advertiu que "há outra gigantesca caravana se formando no momento em Honduras (...), a maior que já vimos".

Mas os migrantes estão determinados.

"Temos muitas expectativas, muitas ilusões, temos que deixar o país", afirmou José Varela, 22 anos, queixando-se que o presidente hondurenho Juan Orlando Hernández quebrou suas promessas de criar empregos e combater a violência.

"Eu vou porque não se pode fazer nada aqui. Estamos em busca do sonho americano", disse, por sua vez, José Ramírez, de 17 anos.

Ele também denunciou a violência criminal. "Às quatro da tarde você tem que ficar confinado na casa porque, se você andar nas ruas os membros da gangue te matam".

José faz parte de um grupo de oito membros de sua família, incluindo um irmão e duas tias, um deles carregando uma criança em seus braços.

A diretora do Instituto Estadual da Infância, Lolis Salas, por sua vez, alertou em comunicado que os pais que tentam tirar seus filhos do país na caravana, sem uma permissão de tanto do pai quanto da mãe autenticada por advogados, podem ser punidos com três anos de prisão.

Este artigo foi automaticamente importado do nosso antigo site para o novo. Se há problemas com sua visualização, pedimos desculpas pelo inconveniente. Por favor, relate o problema ao seguinte endereço: community-feedback@swissinfo.ch

Partilhar este artigo

Participe da discussão

Com uma conta SWI, você pode contribuir com comentários em nosso site.

Faça o login ou registre-se aqui.