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Esta semana, Xi Jinping visitará a cidade de Hong Kong pela primeira vez como presidente chinês, no momento em que ela se encontra mais dividida do que nunca e preocupada com seu futuro, 20 anos após ter sido devolvida à China pelos britânicos

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Esta semana, Xi Jinping visitará a cidade de Hong Kong pela primeira vez como presidente chinês, no momento em que ela se encontra mais dividida do que nunca e preocupada com seu futuro, 20 anos após ter sido devolvida à China pelos britânicos.

Em 1997, a bandeira britânica foi baixada pela última vez sob o olhar do príncipe Charles nesse território que havia sido uma colônia britânica desde 1842, fim de sua primeira guerra do ópio.

Em tese, Hong Kong gozará de bem mais liberdades do que a China continental até 2047. Na prática, porém, muitos cidadãos de Hong Kong acreditam que Pequim está reforçando seu poder político nessa "região administrativamente especial" e que suas liberdades se encontram em risco.

A visita de três dias de Xi começa na quinta-feira (29) sob um forte esquema de segurança, com expectativa de protestos. No sábado (1º), o presidente chinês dará posse à nova líder do governo local, Carrie Lam.

Segundo Joshua Wong, um dos líderes das multitudinárias manifestações pró-democracia que paralisaram Hong Kong durante semanas em 2014 (a chamada "Revolução dos Guarda-Chuvas"), o território está em um momento decisivo de sua história.

"O caráter único de Hong Kong e o status político da minha cidade estão sob ameaça", diz à AFP esse estudante de 20 anos, secretário-geral do Partido Demosisto.

Wong pede que, em 2047, quando terminarem os 50 anos de transição acordados com a Grã-Bretanha, seja realizado um referendo sobre a soberania do território.

Desde as manifestações de 2014, multiplicaram-se os apelos pela autodeterminação e até pela independência.

"O que queremos é que todo o mundo tenha direito de decidir, por referendo, o futuro da cidade", explicou Wong.

- Editores 'desaparecidos'

No papel, desde 1997, Hong Kong tem liberdades únicas - em comparação com a China continental -, como a liberdade de expressão, um sistema judiciário independente e uma parte de sufrágio universal na eleição do governo.

Nos últimos anos, porém, vários incidentes revelaram a busca de controle por Pequim, como o "desaparecimento", em 2015, de cinco editores conhecidos por publicarem livros críticos às lideranças políticas chinesas. Depois, eles "reapareceram" no continente.

Segundo a ex-ministra de Segurança de Hong Kong Regina Ip, rejeitada pelos democratas, o sistema semiautônomo do território "aguenta bem".

"Se a democracia que pedem implica uma ruptura com Pequim, é um ponto de saída inaceitável", defende.

O líder do Partido Liberal, também favorável a Pequim, Felix Chung, alega que o crescimento econômico em Hong Hong é muito melhor do que teria sido sob soberania britânica.

"O governo central dá muitas liberdades", garante.

A nova chefe executiva do território, Carrie Lam, prometeu reconciliar ambos os lados, mas, mesmo antes de sua posse, parte da sociedade acredita que ela obedecerá às ordens de Pequim.

Assim como seus predecessores, Lam foi designada por um comitê eleitoral, no qual a maioria dos membros é favorável ao governo central.

A China propôs mudar o sistema, com a adoção do voto universal, escolhendo os candidatos primeiro. Essa condição é inaceitável para os pró-democratas de Hong Kong. Foi essa reforma, inclusive, que serviu de gatilho para a Revolução dos Guarda-Chuvas.

Hong Kong conta com uma assembleia regional, o Conselho Legislativo (LegCo). Nathan Law - um de seus membros e figura conhecida dos protestos de 2014 - reconhece, contudo, que a capacidade de manobra desse "Parlamento" é muito limitada.

"Os cidadãos de Hong Kong perderam a esperança", lamenta Nathan, em conversa com a AFP, acrescentando que "é um problema enorme".

Hong Kong também sofre importantes desigualdades econômicas e está mergulhado em uma bolha imobiliária, provocada - em parte - pelos investimentos da China continental.

AFP