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Opositores venezuelanos entram em confronto com a polícia durante manifestação, em Caracas, no dia 11 de maio de 2016

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A ONG Human Rights Watch (HRW) pediu nesta quinta-feira um pronunciamento "claro e firme" dos países da OEA sobre a crise na Venezuela, onde a oposição buscar realizar um referendo revogatório contra Nicolás Maduro, após o decreto do mandatário declarando estado de exceção.

"A situação na Venezuela não pode ser mais grave, realmente estamos assistindo a uma situação real de crise", disse a jornalistas em Bogotá José Miguel Vivanco, diretor da HRW nas Américas.

"Creio que os feitos falam por si só e exigem um pronunciamento claro e firme por parte da comunidade regional: a OEA (Organização de Estados Americanos) tem a palavra", acrescentou.

Vivanco fez estas declarações ao assistir o lançamento na Colômbia do livro "Preso pero libre", do político venezuelano Leopoldo López, que cumpre uma pena de quase 14 anos de prisão por supostamente ter incitado a violência durante alguns protestos contra Maduro que deixaram 43 mortos em 2014.

A oposição venezuelana está fazendo pressão esses dias para realizar um referendo revogatório contra Maduro, em meio a um estado de exceção decretado na sexta-feira pelo mandatário, que argumenta que seus adversários procuram gerar violência para justificar uma intervenção estrangeira no país.

Em meio a crise, o secretário-geral da OEA, Luis Almagro, advertiu na quarta-feira Maduro que ele se transformará em um "ditadorzinho" se impedir o referendo revogatório, enquanto parlamentares da oposição pediram nesta quinta-feira a esse organismo regional que convoque "com urgência" a Carta Democrática Interamericana para encontrar uma abordagem regional à crise venezuelana.

Sobre isso, Vivanco disse que "a Carta Democrática foi construída, foi desenhada precisamente para atender situações como a que se está vivendo na Venezuela: um governo que acumula todo o poder, que atua de maneira seletiva e arbitrariamente, que detém sem julgamento justo àqueles que são seus críticos, que censura os meios de comunicação".

"Diante dessas circunstâncias de total indefensibilidade que se encontram os venezuelanos creio que seja essencial que a comunidade regional atue e atue prontamente para evitar um desfecho de violência e de maiores abusos", precisou.

O representante da HRW parabenizou também Almagro pela "valentia enorme" que demonstrou ao responder Maduro e disso também ter "esperanças" de que "o novo governo do Brasil e o atual governo argentino possam impulsionar um debate honesto, rigoroso, franco, sobre o que está ocorrendo na Venezuela" diante da OEA.

AFP