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Porto de Hodeida, controlado pelos rebeldes e principal ponto de entrada de ajuda humanitária ao Iêmen

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Aumento dos preços e escassez de combustível: os habitantes da capital do Iêmen começam a sofrer os efeitos do aumento do bloqueio, que pode levar o país à maior crise de fome das últimas décadas - alerta a ONU.

Já afetados pela guerra civil e pelo bloqueio imposto pela coalizão liderada pela Arábia Saudita há dois anos, os moradores de Sanaa, sob controle rebelde, temem uma piora da situação.

A ONU adverte que o Iêmen enfrentará uma fome em massa que afetará milhões de vidas, se a coalizão não puser fim a seu bloqueio, permitindo a entrega de ajuda ao país.

De acordo com o subsecretário-geral de Assuntos Humanitários da ONU, Mark Lowcock, a menos que voltem a abrir as fronteiras para os envios de ajuda, "será a maior fome que o mundo viu em muitas décadas, com milhões de vítimas".

Reunido a portas fechadas, o Conselho de Segurança da ONU ressaltou a "situação humanitária catastrófica" no país e "a importância de manter abertos todos os portos e aeroportos do Iêmen".

Cerca de 17 milhões de iemenitas têm uma necessidade desesperada de alimentos e sete milhões correm o risco de passar fome e de contrair cólera.

Na terça-feira (7), um carregamento de pastilhas de cloro da Cruz Vermelha, usadas para a prevenção do cólera, foi bloqueado na fronteira norte do Iêmen, informou o organismo.

A coalizão militar árabe liderada pela Arábia Saudita interveio no Iêmen em março de 2015 para apoiar o presidente Abedrabbo Mansour Hadi depois que os huthis obrigaram-no a se exilar.

Na segunda (6), a coalizão fechou as fronteiras do Iêmen e suspendeu as entregas de ajuda em resposta a um ataque com mísseis dos rebeldes huthis que foi interceptado perto do aeroporto de Riad.

Em Sanaa, o taxista Saïd Kanaf declarou à AFP que "a situação que já era catastrófica não os impediu de nos imporem um bloqueio total para que a gente morra de fome".

Ao anunciar o fechamento dos portos, aeroportos e acessos rodoviários ao Iêmen, a coalizão justificou querer "preencher as lacunas", após a "transferência" de armas do Irã para os rebeldes iemenitas.

Antes do final de semana, a moeda do Iêmen era taxada a 370 riyals por um dólar, subindo a 402 riyals em poucos dias.

O preço da gasolina subiu 50%, e o do diesel quase triplicou, enquanto o gás praticamente desapareceu.

Os preços dos produtos de primeira necessidade aumentaram entre 10% e 20% em poucos dias, segundo os moradores.

"Não se espantem se virem pessoas morrendo na rua em caso de manutenção do bloqueio", declarou, sombrio, Mohammed Wassabi, um trabalhador do setor privado.

Segundo organizações humanitárias, a situação é ainda pior nas áreas sob controle rebelde fora da capital.

Segundo a ONU, a guerra entre os rebeldes e as forças pró-governo deixou mais de 8.650 mortos e cerca de 58.600 feridos, incluindo muitos civis.

O representante sueco na ONU, Carl Skau, cujo país convocou a reunião de quarta-feira do Conselho de Segurança, disse que "21 milhões de pessoas precisam de ajuda humanitária urgente" no Iêmen.

"Esta é a pior situação humanitária do mundo: sete milhões de pessoas à beira da fome, uma criança morre a cada dez minutos de doença, quase um milhão de pacientes com cólera", relatou.

Ontem, 15 organizações humanitárias se rebelaram contra o bloqueio às operações humanitárias no Iêmen.

Nesta quinta-feira, outras ONGs e agências da ONU divulgaram uma declaração, destacando que o estoque de vacinas do país pode se esgotar em um mês, se o bloqueio for mantido.

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AFP