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Corpo de suposto traficante de drogas morto em operação policilam em Manila em 14 de julho

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A influente Igreja católica das Filipinas pediu neste domingo o fim da "perda de vidas humanas" após uma semana violenta em que a guerra contra as drogas do presidente Rodrigo Duterte provocou a morte de dezenas de pessoas.

Desde que chegou ao poder há 14 meses, Duterte organiza uma campanha de repressão às drogas sem precedentes. A polícia e supostos milicianos mataram milhares de pessoas, o que levou defensores dos direitos humanos a acusar o presidente de crime contra a humanidade.

As operações policiais da última semana terminaram com pelo menos 76 pessoas mortas a tiros, segundo as autoridades. Os grupos de defesa dos direitos humanos e alguns parlamentares chamaram as ações de "massacres".

Neste domingo, a principal autoridade eclesiástica das Filipinas, país de maioria católica, expressou grande preocupação com crescente número de mortes.

"Apelamos à consciência dos que matam inclusive os indefesos (...) para que acabe a perda de vidas humanas", afirmou o cardeal de Manila, Luis Tagle, em um comunicado lido nas missas.

"O problema das drogas ilegais não deve ser tratado com sua redução a considerações políticas ou criminais. É uma preocupação humanitária que afeta a todos"

O presidente da Conferência Episcopal das Filipinas se uniu a Tagle para denunciar as mortes e pediu que os sinos tocassem nas igrejas em solidariedade às vítimas.

"O som dos sinos é um chamado para que acabe este consentimento aos assassinatos", afirmou o arcebispo Socrates Villegas.

Duterte, de 72 anos, venceu com facilidade a eleição presidencial do ano passado com uma campanha baseada na questão da segurança. Ele prometeu erradicar o tráfico de drogas em seis meses com uma ofensiva na qual milhares de traficantes e usuários seriam eliminados.

Em 14 meses, a polícia afirmou que matou mais de 3.500 pessoas classificadas oficialmente como "personalidades da droga".

Além disso, outros 2.000 suspeitos foram mortos por desconhecidos, segundo a polícia. Mas os ativistas dos direitos humanos afirmam que estes assassinatos foram cometidos por milicianos ou policiais que atuavam de forma oficiosa.

A Igreja católica, uma das instituições mais antigas e influentes no país, é uma das raras vozes a denunciar os homicídios. Nas pesquisas, no entanto, Duterte mantém a grande popularidade.

A Igreja não criticou inicialmente a guerra contra as drogas de Duterte, mas em pouco tempo começou a questionar a ofensiva, quando as mortes passaram a afetar as faixas mais pobres da população.

Duterte acusou os padres e bispos católicos de "hipocrisia".

Depois da morte de 32 pessoas consideradas "personalidades da droga" na segunda-feira, Duterte elogiou os policiais.

"Se pudéssemos matar 32 pessoas por dia, talvez conseguiríamos reduzir o que está errado no país", disse na ocasião o presidente filipino.

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AFP