Imigrantes sem documentos presos nos Estados Unidos, com condições médicas que os tornam vulneráveis a contrair a Covid-19, exigiram a sua liberação de centros de detenção onde se encontram em um recurso apresentado a um tribunal federal nesta quarta-feira (25).

O recurso, apresentado em um tribunal em San Francisco, na Califórnia, assinado por uma dezena de imigrantes e apresentado pela ACLU, a maior organização de direitos humanos do país, argumenta que nas "condições de superlotação e insalubridade nas quais não é possível o distanciamento social", são mais suscetíveis a contrair o vírus, que já matou mais de 800 pessoas no país.

Diabetes, hipertensão, asma, colesterol alto e até tuberculose são algumas das condições que os imigrantes possuem e que os incluem no grupo de risco para a doença.

A ação exige sua liberação dos centros de detenção Mesa Verde e Yuba, ambos situados na Califórnia.

"Não há justificativa válida para manter os imigrantes vulneráveis presos e colocar as suas vidas em risco", disse Manohar Raju, defensor público em San Francisco.

"Essa é uma crise sem precedentes que nos obriga a tomar medidas rápidas, antes que seja muito tarde".

Danielle Bennett, porta-voz do U.S. Immigration and Customs Enforcement (ICE), disse à AFP que a agência "não comenta sobre processos pendentes".

"O ICE faz determinações de custódias todos os dias, às vezes liberando algumas pessoas", por "uma série de motivos".

A ACLU informou que uma das imigrantes que assinou a solicitação foi libertada.

Cerca de 37.000 imigrantes sem documentos estão atualmente detidos nos Estados Unidos, que endureceram suas políticas migratórias desde a chegada ao poder do presidente americano, Donald Trump.

Na terça-feira, o primeiro caso de coronavírus foi detectado em um centro de detenção: um mexicano de 31 anos, em Nova Jersey.

O medo por causa do coronavírus tem levado médicos, congressistas e militantes a pedir a liberação dos presos comuns que cumprem penas por delitos não violentos ou que estão perto de cumprir as suas penas.

Os Estados Unidos superam todos os recordes de população prisional do mundo, com 2,2 milhões de pessoas presas.

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