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Imprensa internacional acusa Trump por democracia 'sitiada'

Imagem do Capitólio afp_tickers
Este conteúdo foi publicado em 07. janeiro 2021 - 10:20
(AFP)

"Democracia sitiada", "golpe de Estado de loucura", "Trump ateia fogo em Washington". O "caos" provocado na quarta-feira (6) pelos partidários de Donald Trump no Capitólio ocupou as primeiras páginas da imprensa internacional, que culpa o presidente em fim de mandato por ter incentivado a violência.

"Capitólio sitiado: partidários de Trump invadem o coração da democracia americana", foi a manchete do Times de Londres, que conta como democratas e republicanos reunidos para confirmar a eleição do democrata Joe Biden tiveram de usar "máscaras de gás", "enquanto o pessoal" se escondia nos gabinetes.

Sob o título "democracia sitiada", o Daily Telegraph descreveu "cenas sem precedentes em Washington" com "hordas de apoiadores de Trump" invadindo o templo da democracia americana.

Para o jornal The Guardian, essa violência constitui "o desafio mais importante para o sistema democrático americano desde a Guerra Civil" (1861-1865).

- Vergonha e caos -

Para o espanhol El País, "Donald Trump encorajou ontem o caos que tomou conta de Washington quando o Congresso se preparava para confirmar Joe Biden como o próximo presidente dos Estados Unidos".

"Vergonha" e "caos" foram as palavras repetidas nos principais jornais alemães.

"Dia da vergonha para a democracia americana", escreveu o Die Welt. "Os Estados Unidos experimentaram sua primeira tentativa de golpe de Estado", e "o presidente, suas mentiras e um partido republicano invertebrado são politicamente responsáveis", escreveu Clemens Wergin em um editorial on-line.

"O golpe da loucura", foi a manchete do Süddeutsche Zeitung, que também falou de "vergonha em Washington".

O jornal italiano La Repubblica equiparou a situação à chegada ao poder de Mussolini nos anos 1920: "Os Estados Unidos, todos os Estados Unidos, viveram com horror ao vivo na televisão o equivalente a uma marcha sobre Roma em Washington, a invasão do Capitólio, um ataque à própria sacralidade de sua democracia", escreveu seu correspondente Mario Platero.

O Corriere della Serra analisou o perfil dos Proud Boys, "extremistas de direita, mas também mulheres e jovens. Convocados diretamente por Trump. Que então tentou na televisão diminuir a pressão: 'Somos o partido da lei e da ordem'. Mas tarde demais".

"Trump: a estratégia do caos", foi a manchete do jornal francês Libération, que acrescentou nas páginas internas: "Trump ateia fogo em Washington". "O ataque de Donald Trump à democracia americana deu uma guinada concreta e simbólica na quarta-feira, quando alguns de seus apoiadores, animados por seu discurso, conseguiram invadir o complexo do Capitólio".

No Figaro, o editorialista Philippe Gélie enfatizou que "Donald Trump poderia ter saído por cima, como 'presidente do povo' com um balanço polêmico, mas não desprezível. Mas seu narcisismo acima de qualquer dignidade maltrata as instituições, atropela a democracia, divide seu lado e joga sua presidência na sarjeta".

No Cairo, o jornal egípcio Al Ahram escreveu: "As imagens mostram o sacrifício da democracia americana, a morte de sua liberdade e a queda dos valores que os Estados Unidos sempre quiseram exportar para os povos do mundo e fazer disso um motivo de ingerência nos assuntos de outros Estados".

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