Pelo menos 11 pessoas morreram na noite de quinta-feira (12), em um incêndio no Hospital Badim, situado na Tijuca, Zona Norte da cidade do Rio de Janeiro.

Aparentemente provocado por um curto-circuito, o incidente foi declarado ao anoitecer. Mais de 100 pacientes foram retirados e transferidos para outros hospitais em meio a cenas de caos.

O Instituto Médico Legal (IML) do Rio de Janeiro informou nesta sexta que a maioria dos 11 falecidos, pacientes de entre 66 e 96 anos deste centro médico privado, morreram asfixiados pela fumaça. Muitos estavam na unidade de terapia intensiva no momento do incêndio.

"A maioria foi por asfixia e outras causas correlacionadas ao incidente. São descompensações das doenças que as pessoas tinham, relacionadas aos aparelhos que as mantinham vivas e deixaram de funcionar em razão do incêndio", explicou Gabriela Graça, diretora do IML, que coordenou a necropsia.

O diretor do hospital, Fabio Santoro, informou que 103 pacientes estavam no prédio no momento da tragédia e, destes, "77 continuam internados" em outras duas instituições médicas da cidade. Outros 14 "já estão em suas residências", completou. Outro paciente continua desaparecido.

Dezenas de familiares estiveram esta manhã ao hospital, onde as chamas foram controladas depois de quase três horas de incêndio e caos. Na madrugada de sexta os bombeiros concluíram as operações de resgate de corpos entre os escombros.

Informações preliminares do hospital indicam que o fogo foi gerado por "um curto-circuito no gerador" de um dos edifícios do complexo médico.

Em entrevista à Globo News, o delegado Roberto Ramos disse que foram recuperadas gravações com "imagens de câmeras do circuito interno" para determinar a origem das chamas. Os investigadores esperavam que a energia fosse cortada para poderem chegar ao gerador, onde havia água.

- Retirada em meio ao caos -

Durante várias horas, o caos tomou conta do lugar. Uma densa coluna de fumaça preta subiu pela lateral de um dos prédios, enquanto enfermeiras, médicos e voluntários corriam para retirar os pacientes do local.

Teresa Dias, de 58 anos, estava no terceiro andar de um dos prédios novos do hospital, onde seu pai estava internado.

"O médico entrou pedindo que a gente evacuasse o mais rápido possível, porque tinham um incêndio", relatou à AFP.

"Puseram meu pai em uma cadeira e o amarraram para evitar o risco de que se caísse. E vários homens o levaram pelas escadas", assim como "muitos pacientes", afirmou Teresa.

"A atenção para retirada foi muito rápida", completou, acrescentando que viu "muita fumaça", quando chegou às ruas, onde colchões e macas foram colocadas sobre o asfalto.

As ambulâncias abriam caminho entre a equipe médica e a multidão de curiosos para transferir os pacientes para outras instituições.

"O vidro caindo parecia tiro. Pensei que fosse assalto. E, quando ouvi todo mundo gritar, desci para ver o que estava acontecendo. Vi muita fumaça e ouvi gritos muito altos. Os bombeiros chegaram rapidinho", descreveu Terezinha Machado, uma vizinha de 76 anos.

Segundo os bombeiros, o hospital tinha os certificados de segurança expedidos pelo próprio CBMERJ.

- Ato de sabotagem? -

Durante uma visita ao hospital nesta sexta, o prefeito do Rio, Marcelo Crivella, confirmou que o Hospital Badim "tinha todos os equipamentos" necessários e que "as investigações vão determinar se houve, ou não, responsáveis".

"É preciso ver se não houve sabotagens. É uma coisa que precisa ser investigada. Um motor que gera energia pegar fogo? O fogo vem da imprudência das pessoas, que acendem a chama em local que depois não conseguem controlar, ou de algum circuito elétrico", afirmou, citado pelo jornal "Extra".

Este é o terceiro incêndio de grandes proporções na cidade em um ano.

Em 8 de fevereiro passado, o centro de treinamento do Flamengo pegou fogo. Dez adolescentes morreram. Em setembro de 2018, o Museu Nacional do Rio de Janeiro foi arrasado pelas chamas.

Ambos os incêndios foram causados por curto-circuitos no ar-condicionado.

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