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Bandeira do Senegal

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Ao menos 22 pessoas morreram na quarta-feira no Senegal em um incêndio de origem desconhecida no local onde era realizado um encontro religioso muçulmano, informaram nesta quinta-feira à AFP os bombeiros.

A tragédia ocorreu em Medina Gounass, na região de Tambacounda, a cerca de 530 km de Dacar, para onde se dirigem todos os anos milhares de muçulmanos para o "daaka", o retiro espiritual organizado durante doze dias.

"O balanço desta (quinta-feira) de manhã era de 22 mortos e 87 feridos", incluindo vinte em estado grave, disse à AFP um responsável do corpo nacional de bombeiros, acrescentando que esse balanço é provisório.

Segundo ele, os feridos foram levados para o hospital regional de Tambacounda, cerca de 80 km ao norte de Medina Gounass.

Entre os feridos, além dos queimados, vários foram vítimas do tumulto ou do impacto com objetos no local, informou a fonte, que disse desconhecer a origem do fogo.

O incêndio foi noticiado apenas nesta quinta-feira pela imprensa local. O incidente aconteceu na quarta-feira à tarde quando centenas de fiéis estavam reunidos no local do "daaka", longe de residências, mas com muitos abrigos temporários feitos de palha, cercados por veículos de transporte, bagagens e equipamentos de cozinha ao ar livre.

- Acidentes frequentes -

O fogo se espalhou rapidamente, fazendo vítimas entre os peregrinos e provocando danos significativos, de acordo com a imprensa local.

Alguns jornais e sites publicaram imagens de animais carbonizados. De acordo com o jornal Le Quotidien, com pelo menos 22 mortos, "este é o incidente mais grave neste local de retiro anual. Em 2010, um incêndio deixou seis mortos e vários feridos".

Segundo a imprensa local, o "dakaa" de Medina Gunass, que deve terminar no dia 17 de abril, celebrava neste ano sua 76ª edição.

Os senegaleses, mais de 90% deles muçulmanos sunitas, praticam um islã dominado por grandes confrarias sufis, sobretudo as dos tidjanes, os murides, os qadries e os layenes.

Um dos peregrinos, Usman Ba, um aposentado, disse ao jornal pró-governamental Le Soleil ter vivenciado vários incêndios desde que começou a participar do "dakaa", em 1966, "mas não foram de tal magnitude".

"O fogo queimou tudo em seu caminho. Somente as tendas modernas reservadas aos marabutos ficaram relativamente a salvo da fúria das chamas", disse outro peregrino, Aziz Thierno Belly Ba, habitante de Medina Gunass, citado pelo jornal privado L'Observateur.

O presidente Macky Sall falava da catástrofe na quarta-feira à tarde - informando sobre um balanço provisório de uma "dúzia de motos" - durante uma coletiva de imprensa.

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