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Indígenas encerram protesto anual em Brasília com duras críticas a Bolsonaro

A deputada indígena Joenia Wapichana na câmara em Brasília, em 25 de abril de 2019 afp_tickers
Este conteúdo foi publicado em 26. abril 2019 - 20:39
(AFP)

Milhares de indígenas brasileiros encerraram nesta sexta-feira seu protesto anual em Brasília com uma passeata contra as políticas do presidente Jair Bolsonaro que, segundo denunciam, favorece o avanço da atividade de mineração e agropecuária nos territórios demarcados.

Colorido, como desde a primeira edição há 15 anos, o Acampamento Terra Livre de 2019 reuniu nos últimos três dias representantes de comunidades indígenas de todo o Brasil, em meio a um contexto de maior tensão pelas políticas aplicadas e anunciadas desde que Bolsonaro assumiu a presidência.

Desde o primeiro dia, todos os eventos do encontro ocorreram sem qualquer incidente, apesar da segurança reforçada na capital por ordens da Presidência.

Portando arcos e fechas e roupas e adereços tradicionais, os nativos, que representam cerca de 0,4% dos 209 milhões de brasileiros, caminharam pela Esplanada dos Ministérios.

Com cantos e danças tradicionais, reivindicaram o direito à terra e à educação, protestaram contra a municipalização da saúde e contra os planos do governo de flexibilizar os controles para a exploração econômica da Amazônia e suas ameaças às demarcações indígenas.

"Os fazendeiros estão voltando, dizendo que eles têm esse direito agora, e o juiz, com a entrada do governo novo, diz para eles que eles têm que ficar. Eles estão desmatando muita mata", explicou à AFP José Roberto, cacique da aldeia São José, no Maranhão.

Ao fim da passeata, em frente ao Ministério da Justiça, foram recebidos por um assessor do ministro Sérgio Moro.

Ali apresentaram suas queixas contra a determinação de Bolsonaro de despojar a Fundação Nacional do Índio (Funai) de suas atribuições de demarcar terras indígenas e outorgar licenças ambientais, atividades que agora ficam com o ministério da Agricultura dirigido por Tereza Cristina da Costa, ex-líder da bancada ruralista na Câmara.

"Protestamos pelo fortalecimento da saúde indígena e para que o ministro Sérgio Moro devolva à Funai ao ministério da Justiça", declarou Dinamam Tuxá, coordenador da Articulação de Povos Indígenas do Brasil (APIB), responsável pelo evento.

Segundo dados oficiais, cerca de 800 mil indígenas de 305 etnias vivem no Brasil. A Constituição determina que esses povos têm o direito ao usufruto exclusivo sobre as terras que ocupam, mas a demarcação está ameaçada pelo desmatamento, a expansão da pecuária e o avanço da fronteira agrícola.

Pouco após a eleição, Bolsonaro apontou para a continuidade dessa política. "Por que manter os indígenas isolados em reservas, como os animais em um zoológico?", se "como nós querem evoluir, querem ter médicos, dentistas, acesso à internet, viajar de avião", declarou.

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