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Indígenas marcham para capital do Equador em protesto por alta de combustível

Indígenas protestam contra a alta dos combustíveis no Equador, 7 de outubro de 2019 afp_tickers
Este conteúdo foi publicado em 07. outubro 2019 - 21:53
(AFP)

Milhares de camponeses e indígenas marcham nesta segunda-feira (7) para a capital do Equador, Quito, desafiando o governo de Lenín Moreno, que decretou o estado de emergência diante dos protestos que ocorrem há seis dias devido ao aumento nos preços dos combustíveis.

Manifestantes das províncias do sul dos Andes partiram na noite de domingo a pé e em vans para protestar na capital pela eliminação de subsídios e a consequente alta.

Outros grupos de indígenas também se deslocam do norte do Equador para protagonizar uma grande mobilização na quarta-feira junto a sindicatos na capital, onde, nesta segunda-feira à tarde foram retomados confrontos violentos entre manifestantes e policiais, que se aproximavam da casa do governo, que permanece isolada por agentes, no centro colonial.

Na cidade de Machachi, a 35 km de Quito, militares e policiais tentaram dispersar a marcha com bombas de gás lacrimogêneo. Barricadas e pneus também podem ser vistos na estrada, segundo jornalistas da AFP. A enorme caravana chegou à tarde até Cutuglagua, perto da cidade.

"Vamos ultrapassar a marca de 20 mil indígenas", disse em Quito nesta segunda-feira (7) Jaime Vargas, presidente da Confederação de Nacionalidades Indígenas do Equador (Conaie), que em 2000 protagonizou o movimento pela queda do então presidente Jamil Mahuad, questionado por sua política econômica.

No domingo, a organização também declarou um "estado de exceção em todos os territórios indígenas".

"Militares e policiais que se aproximarem de territórios indígenas serão retidos e submetidos à justiça indígena (reconhecida pela Constituição)", destacou.

Várias dezenas de militares, que desde a quinta-feira foram mobilizados para restaurar a ordem, estão sendo mantidos em comunidades do interior, segundo líderes indígenas.

Outros grupos de povos indígenas também se deslocam do norte do país para participar da grande mobilização prevista para a quarta-feira ao lado dos sindicatos em Quito.

Manifestantes ocuparam três campos de produção de petróleo na Amazônia, provocando uma quebra na produção de 63.250 barris por dia, informou o ministério da Energia.

As atividades em três campos da Amazônia "foram suspensas devido à ocupação das instalações por grupos de pessoas alheias à operação", o que afetou 12% da produção total do país, de 531.000 barris/dia, precisou o ministério.

Em 16 das 24 províncias equatorianas foram registrados bloqueios nas estradas nesta segunda, de acordo com um relatório do Serviço de Segurança Integrado ECU 911.

Os protestos deixaram até o momento um civil morto, 73 feridos (incluindo 59 agentes de segurança) e 477 detidos (a maioria por vandalismo), de acordo com as autoridades.

Vários setores sociais rejeitam a decisão do governo em eliminar os subsídios, anunciada na última quinta-feira, que atende a um acordo assinado com o FMI para a concessão de um empréstimo de 4,2 bilhões.

A medida gerou aumentos de até 123% nos preços dos combustíveis. O galão de 3,79 litros de diesel passou de 1,03 para 2,30 dólares e o da gasolina comum de 1,85 para 2,40 dólares.

Por conta dos tumultos, Moreno decretou o estado de exceção, que além de mobilizar as Forças Armadas, lhe confere poderes para restringir direitos como o da livre mobilidade e impor censura prévia à imprensa.

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