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O presidente destituído da Catalunha Carles Puigdemont, em Bruxelas, em 7 de novembro de 2017

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Vários líderes separatistas catalães reconheceram nesta segunda-feira (13) que a secessão não é um objetivo realizável imediatamente, e o presidente destituído Carles Puigdemont afirmou que para ele "continua sendo possível" um encaixe da Catalunha dentro da Espanha.

Puigdemont fez esta afirmação em uma entrevista ao jornal belga Le Soir enquanto os partidos catalães finalizam nesta semana suas listas para as eleições regionais de 21 de dezembro, convocadas por Madri para tentar resolver o desafio separatista.

O próprio líder independentista, reclamado pela Justiça espanhola pelo suposto crime de rebelião, quer disputar a votação à frente de uma lista chamada "Juntos pela Catalunha". Seu objetivo é que ela transversal e não se limite aos membros de sua formação, o Partido Democrata Catalão (PDeCAT).

"Estou disposto e sempre estive disposto a aceitar a realidade de outra relação com a Espanha", declarou Puigdemont na entrevista, detalhando que existem soluções políticas sem ser a independência da Catalunha.

"Continua sendo possível! Eu, que fui independentista toda a minha vida, estive trabalhando 30 anos para conseguir outro encaixe da Catalunha dentro da Espanha", afirmou. "Continuo a favor de um acordo".

Atualmente, oito membros do governo destituído estão em prisão provisória, e nos últimos dias vários líderes separatistas tomaram distância do projeto de uma independência rápida.

A presidente do Parlamento catalão dissolvido, Carme Forcadell, investigada por rebelião, não compareceu no sábado à manifestação ocorrida em Barcelona para pedir a libertação dos detidos, e disse aos juízes que acatava a ordem constitucional.

Nesta segunda-feira, o porta-voz do partido que desde o início de 2016 governou em coalizão com Puigdemont, Esquerda Republicana da Catalunha (ERC), também reconheceu que o Executivo catalão não estava em condições de defender a independência após o referendo ilegal de autodeterminação de 1º de outubro.

"O governo não estava preparado (...) para fazer frente a um Estado autoritário e sem limites ao aplicar a repressão e a violência", disse à imprensa Sergi Sabrià, porta-voz do ERC, tido como vitorioso nas eleições pelas pesquisas, embora sem maioria absoluta.

Segundo ele, não houve outra alternativa a não ser voltar atrás para que "o processo continuasse sendo pacífico".

Carles Puigdemont viajou a Bruxelas depois da declaração unilateral de independência votada no Parlamento catalão em 27 de outubro. Horas mais tarde o seu governo foi destituído e colocado sob tutela da região.

Nesse mesmo dia, o governo de Rajoy dissolveu a Câmara catalã, de maioria independentista, e convocou eleições regionais para 21 de dezembro.

- A sombra da 'manipulação' russa -

De Bruxelas, o ministro espanhol de Relações Exteriores, Alfonso Dastis, insistiu nesta segunda-feira que "a alternativa à independência passa hoje pelas eleições de 21 de dezembro". "O que o senhor Puigdemont tem que fazer é se apresentar como candidato a essas eleições e ver o seu apoio", acrescentou.

Dastis explicou que na reunião de chanceleres e ministros da Defesa da União Europeia em Bruxelas foi abordado o problema da suposta ingerência de meios de comunicação russos no conflito catalão, com informações falsas ou enviesadas.

"Não consta formalmente que o governo russo esteja por trás disso, mas sim, sabemos de onde vem esse tráfego (de informação sobre a Catalunha) que está vinculado com redes que têm sua sede ou ponto de propagação na Rússia", declarou o ministro ao fim da reunião.

"São multiplicações de informações falsas que contribuem para aumentar a desinformação e a manipulação", em detrimento da posição do governo espanhol, disse o ministro. Dastis acrescentou que 30% das contas criadas em redes sociais para difundir essas informações estão radicadas na Venezuela.

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AFP