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Enfermeiras auxiliam paciente, antes de cirurgia para colocar marcapasso, em 19 de julho de 2013. Esta é a primeira vez que uma célula cardíaca é reprogramada em um animal vivo para curar uma doença.

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Um estudo feito com animais demonstrou que introduzir um determinado tipo de gene no músculo cardíaco poderia ajudar um coração debilitado a bater mais forte, anunciaram cientistas nesta quarta-feira.

Os especialistas avaliaram que, se for demonstrado que é seguro e eficaz em humanos, o procedimento poderia substituir no futuro os marcapassos eletrônicos, embora tenham acrescentando que esta ainda é uma possibilidade distante.

"Estes avanços pressagiam uma nova era de tratamentos genéticos, nos quais os genes não são usados unicamente para corrigir uma enfermidade, mas para transformar um tipo de célula em outro para tratar a doença", explicou Eduardo Marban, diretor do Cedars-Sinai Heart Institute, que chefiou a pesquisa.

Esta é a primeira vez que uma célula cardíaca é reprogramada em um animal vivo para curar uma doença, reforçou Marban.

A terapia genética é considerada há muito tempo um campo promissor, porém arriscado, particularmente depois que as primeiras tentativas para usá-la em pessoas nos anos 1990 demostraram que poderia ser perigosa e, inclusive, fatal.

Segundo Marban, o uso de um vírus brando como vetor de introdução do gene reduziria as preocupações que costumam vir à tona com relação à terapia genética, como o risco de uma reação imunológica letal ou a possibilidade de que o procedimento possa levar à formação de um tumor, mas o cientista admitiu que é necessário fazer mais pesquisas.

O estudo, publicado na revista Science Translation Medicine, dá detalhes de um tratamento que consiste, entre outras coisas, em introduzir um gene conhecido como TBX18 em uma área do tamanho de um grão de pimenta nas câmaras de bombeamento do coração.

O gene transforma algumas das células normais do coração em células de outro tipo, chamadas células sinoatriais, que assumem a função de bombear o coração.

"Basicamente, criamos um novo nó sinoatrial na parte do coração que originalmente propaga o impulso, mas não o origina", explicou a jornalistas em uma teleconferência para discutir a pesquisa.

"O nó recém-criado assume, então, a função de um marcapasso", acrescentou.

A abordagem, minimamente invasiva, foi testada em porcos que sofriam de uma condição conhecida como bloqueio cardíaco completo, um problema grave que afeta o sistema elétrico do coração e provoca batidas irregulares.

O gene foi introduzido através de um cateter e não foi necessária cirurgia de peito aberto. No dia seguinte, os porcos nos quais o gene foi introduzido apresentaram batidas cardíacas significativamente mais rápidas do que aqueles que não foram submetidos ao tratamento.

A técnica funcionou em animais nas duas semanas que o estudo durou. A equipe de cientistas prossegue seus trabalhos para ver quanto poderia durar o efeito do tratamento.

Os indivíduos que poderiam se beneficiar inicialmente do novo tratamento incluem os 2% de pacientes com marcapassos que desenvolvem infecções ou fetos portadores de bloqueio cardíaco congênito, que afeta um em cada 22.000 e causa uma batida cardíaca irregular no útero.

Já que é impossível implantar marcapassos em fetos, há muito pouco que se possa fazer para tratar o bloqueio cardíaco congênito, que costuma fazer com que o bebê nasça morto.

A abordagem desenvolvida por Marban e seus colegas ainda está a dois ou três anos da realização de testes em humanos, afirmou.

"Ela ao menos aponta para o potencial de um tratamento curativo de dose única sem a necessidade de se seguir com intervenções, procedimentos repetidos ou dependência de um dispositivo artificial implantado no corpo", afirmou Marban.

AFP