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Especialistas trabalham na área da queda do avião da Malaysia Airlines em 25 de julho em Grabovo, leste da Ucrânia

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Setenta inspetores internacionais trabalhavam neste sábado no local da queda do avião da Malaysia Airlines no leste da Ucrânia, onde a cidade cercada de Lugansk está "à beira de uma catástrofe humanitária", segundo a prefeitura do reduto rebelde.

A ofensiva militar ucraniana prossegue com o avanço, em especial em alguns redutos dos separatistas pró-Moscou, como as cidades de Donetsk e Lugansk, e na região de fronteira com a Rússia.

A cidade de Grabove, local da queda do avião da Malaysia Airlines em 17 de julho, derrubado por um míssil que pode ter sido lançado pelos insurgentes, recebeu um comboio de 20 carros com inspetores da Organização para a Cooperação e a Segurança na Europa (OSCE), além de especialistas holandeses e australianos.

Os integrantes da missão procuram por destroços do avião em uma área de 20 quilômetros quadrados.

Dos 298 mortos no avião, 193 eram holandeses e 27 australianos.

Mas os especialistas internacionais abandonaram neste sábado uma parte do local onde ainda existem destroços do avião malaio, em consequência dos combates, anunciou a OSCE.

Os inspetores ouviram tiros a uma distância de dois quilômetros.

"Aconteceram de maneira suficientemente próxima para que tomassem a decisão de sair. O impacto dos tiros era muito intenso e o chão tremia", afirmou Alexander Hug, diretor adjunto da missão da OSCE na Ucrânia.

Hug informou que os separatistas aprovaram o acesso à região sob seu controle e considerou que era muito cedo para determinar se esta era uma violação do cessar-fogo, estabelecido pelos insurgentes pró-Rússia e as forças ucranianas nas imediações do local da tragédia aérea.

Em Grabove, a busca por corpos é considerada uma prioridade em relação à determinação das causas da tragédia de 17 de julho, afirmaram cientistas holandeses, que também anunciaram ter encontraro um número não revelado de destroços.

O governo da Holanda informou na sexta-feira que conseguiu identificar uma segunda vítima e reiterou que os trabalhos de identificação dos corpos poderiam durar meses.

Na quinta-feira, o Parlamento ucraniano autorizou que policiais holandeses e australianos portem armas, o que para Andrei Purguin, líder separatista, significa "uma intervenção militar de fato".

O presidente americano, Barack Obama, ligou na sexta-feira para o colega russo, Vladimir Putin, para expressar a "profunda preocupação com o crescente apoio da Rússia aos separatistas na Ucrânia".

"O presidente ressaltou sua preferência por uma solução diplomática para a crise na Ucrânia, e os dois líderes concordaram em manter seus canais de comunicação abertos", relatou a Casa Branca, em um comunicado.

O secretário do Tesouro americano, Jack Lew, conversou por telefone com o primeiro-ministro ucraniano, Arseni Yatseniuk, e disse que Washington continuará impondo sanções à Rússia, se este país não buscar uma solução pacífica para a crise.

A crise ucraniana se transformou em uma dor de cabeça para Putin, preso entre as sanções ocidentais cada vez mais duras e uma opinião pública que apoia seu respaldo aos separatistas russos da Ucrânia, afirmam os analistas.

Catástrofe humanitária

No leste da Ucrânia, a prefeitura de Lugansk advertiu que este reduto separatista, cenário de confrontos, está à beira de uma catástrofe humanitária, pois sofre com a falta de água, energia elétrica e com problemas no fornecimento de alimentos.

A capital regional perto da fronteira com a Rússia, que tinha mais de 500.000 habitantes antes da insurreição, foi devastada pelos confrontos entre as forças ucranianas e os rebeldes pró-Rússia nas últimas semanas.

"O que acontece hoje em Lugansk é uma autêntica guerra que custou a vida de mais de 100 habitantes pacíficos", afirma um comunicado da prefeitura.

"Depois de vários meses (de combates), com o bloqueio e tiros constantes, a cidade está à beira de uma catástrofe humanitária", adverte.

Lugansk, situada na bacia industrial e de mineração de Donbass, é um dos redutos da rebelião pró-Rússia que proclamou uma "república popular", assim como na cidade de Donetsk, situada a 150 quilômetros.

Os combates acontecem desde o início da ofensiva há três meses, sobretudo para controlar o aeroporto, e já provocaram várias vítimas civis.

AFP