O ministro iraniano das Relações Exteriores, Mohamad Javad Zarif, acusou nesta quinta-feira o governo dos Estados Unidos de provocar uma escalada inaceitável das tensões e descartou qualquer possibilidade de negociação com Washington.

"Atuamos com máxima moderação", declarou Zarif, em referência à reação de seu país à decisão do ano passado de Donald Trump de retirar os Estados Unidos do acordo nuclear de 2015, que deveria evitar a produção de armas atômicas por Teerã.

O ministro iraniano, que está no Japão e que viajará amanhã à China, afirmou que seu país mantém o "compromisso" com a comunidade internacional no âmbito do acordo.

A tensão aumentou nas últimas semanas com o envio ao Oriente Médio de um porta-aviões e de mísseis Patriot por parte dos Estados Unidos, país que acusa o Irã de ameaçar seus interesses.

O Departamento de Estado ordenou na quarta-feira que os funcionários diplomáticos não emergenciais deixem o Iraque, vizinho do Irã, alegando uma "ameaça iminente" relacionada "diretamente" com o Irã.

Apesar da escalada, Donald Trump voltou a pedir o diálogo. "Tenho certeza de que o Irã vai querer conversar em breve", escreveu no Twitter.

Contudo, o chefe da diplomacia iraniana descartou nesta quinta "qualquer possibilidade" de negociação com os Estados Unidos, segundo declarações à agência japonesa Kyodo.

"Não sei por que o presidente Trump está otimista, porque é totalmente falso", insistiu o diplomata iraniano, citado pela rede de televisão NHK.

Apesar da campanha de "máxima pressão", esta não é a primeira vez que Trump cita uma possível negociação, no momento sem sucesso. O presidente americano advertiu na segunda-feira as autoridades iranianas sobre qualquer ato hostil. "Se fizerem algo, vão sofrer muito", alertou.

Washington aumentou a tensão com o reforço de sua presença militar no Golfo.

- "Guerra econômica" -

O chefe da diplomacia americana, Mike Pompeo, fez na semana passada uma visita surpresa a Bagdá para compartilhar com as autoridades iraquianas "as informações que indicam uma escalada das atividades do Irã". Também disse ter recebido garantias para a proteção dos americanos.

O governo americano afirmou que a determinação de retorno dos diplomatas não foi motivada por uma ação militar iminente dos Estados Unidos contra o Irã ou seus grupos aliados.

Dois grupos armados pró-iranianos no Iraque desmentiram nesta quinta qualquer ameaça contra os interesses dos Estados Unidos e denunciaram "provocações americanas".

Pompeo afirmou na terça-feira, durante visita a Sochi (Rússia), que Washington não busca uma guerra com o Irã.

Pouco depois da decisão americana, os exércitos da Alemanha e da Holanda anunciaram a suspensão das operações de treinamento militar no Iraque.

O guia supremo Ali Khamenei declarou na terça-feira que "não vai acontecer uma guerra com os Estados Unidos" enquanto o presidente Hassan Rohani citou a "guerra econômica" de Washington.

"Este período da história é o mais fatídico para a Revolução Islâmica porque o inimigo colocou em jogo todas estas capacidades contra nós", afirmou o comandante da Guarda Revolucionária, Hossein Salami.

A Rússia afirmou que está preocupada com a "escalada da tensão" e acusou Washington de "provocar" o Irã.

O jornal New York Times informou que o secretário americano de Defesa, Patrick Shanahan, apresentou aos assessores de Donald Trump um plano segundo o qual até 120.000 homens poderiam ser enviados ao Oriente Médio em caso de ataque às forças americanas.

Um projeto desmentido pelo presidente dos Estados Unidos, que advertiu, no entanto, que se for necessário "enviaremos muito mais homens".

Uma nova fonte de tensão surgiu com os chamados "atos de sabotagem" contra três petroleiros e um cargueiro no Golfo, de origem indeterminada até o momento, asim como um ataque contra estações de bombeamento na Arábia Saudita, reivindicados pelos rebeldes huthis do Iêmen, apoiados pelo Irã.

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