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O presidente do Irã discursa na Assembleia Geral da ONU, em Nova York

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O presidente do Irã, Hassan Rohani, advertiu nesta quarta-feira ante a Assembleia Geral da ONU que seu país reagirá com determinação a qualquer violação do acordo nuclear assinado com vários países em 2015, em um novo capítulo da escalada da tensão com os Estados Unidos.

O dirigente destacou que o acordo pertence à comunidade internacional e não a um ou dois países e que se os Estados Unidos decidirem violá-la, acabarão "destruindo sua credibilidade".

Esse entendimento, acrescentou, foi apoiado pela comunidade internacional e pelo Conselho de Segurança da ONU, mediante a resolução 2231.

Em tom calmo, mas firme, Rohani insistiu que o governo de Teerã respeita rigorosamente os compromissos assumidos pelo acordo.

"Não enganamos ninguém, não somos desonestos", afirmou o presidente iraniano.

A continuidade desses histórico acordo, elaborado para impedir o Irã de se dotar de arma atômica, se tornou um dos temas centrais da 72ª Assembleia Geral da ONU.

"Será uma grande lástima que este acordo for destruído por párias recém-chegados ao mundo da política. O mundo perderia uma grande oportunidade", ressaltou o líder iraniano, lembrando que o acordo "é o resultado de dois anos de intensas negociações multilaterais".

Concluído em 14 de julho de 2015 em Viena após mais de uma década de negociações, o acordo entre Teerã e seis potências mundiais (Estados Unidos, Reino Unido, França, Rússia, China e Alemanha) garante a natureza civil do programa nuclear iraniano em troca do levantamento de sanções que sufocam a economia iraniana.

Centro das atenções

A 72ª Assembleia Geral da ONU iniciou na terça-feira sua maratona de discursos e reuniões sob a sombra de um possível conflito nuclear na Coreia do Norte, mas a sobrevivência do acordo com o Irã logo ocupou o centro das atenções.

Na terça, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, adotou em seu discurso uma retórica de elevada voltagem belicista, ameaçando destruir a Coreia do Norte e afirmando que o acordo iraniano era uma vergonha para Washington.

Em resposta, Rohani criticou "a retórica ignorante, absurda e odiosa, cheia de alegações ridículas e sem fundamentos, que foi utilizada neste recinto" na terça.

Altos funcionários do governo americano - como o secretário de Estado Rex Tillerson e a embaixadora ante a ONU, Nikki Haley - já deixaram claro que são favoráveis a uma rediscussão dos termos desse acordo.

Em Washington, Trump disse a jornalistas que havia chegado a uma decisão sobre a questão do acordo com o Irã, mas não deu detalhes. "Eu decidi", afirmou o presidente, sem revelar sua decisão. "Vou avisar qual é a decisão", acrescentou.

Trump já aliviou sanções contra Teerã como parte do acordo e não se espera que declare que o Irã violou o pacto assinado durante a administração de Barack Obama para reduzir o enriquecimento de urânio.

Mas, ainda sim, ele pode recusar uma nova certificação do acordo em 15 de outubro, uma decisão fortemente discutida no Executivo americano.

- Em defesa do acordo -

Neste contexto, o presidente francês, Emmanuel Macron, defendeu nesta quarta a manutenção do acordo nuclear iraniano, mas ampliado com medidas para restringir o desenvolvimento de mísseis balísticos e prolongar os limites do enriquecimento de urânio.

"Temos que manter o acordo de 2015 porque é um bom acordo com um controle rigoroso da situação atual, e temos que adicionar dois ou três pilares", disse Macron a jornalistas.

Entre esses "pilares", Macron mencionou um para melhor controlar os mísseis balísticos e outro para estender o acordo além de 2025, quando as limitações ao enriquecimento nuclear do Irã começam a expirar.

Um possível terceiro pilar envolveria "discussões abertas com o Irã sobre a situação atual na região".

As medidas citadas por Macron cobrem as principais demandas do presidente americano Donald Trump.

Espera-se que os demais países signatários do acordo nuclear com o Irã se pronunciem a este respeito em seus discursos na ONU.

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AFP