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Iranianas caminham diante da ex-embaixada americana em Teerã em 3 de novembro de 2016

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Os iranianos reagiram com irritação e piadas às críticas belicosas feitas contra seu governo pelo presidente americano, Donald Trump, que ameaçou acabar com o histórico acordo nuclear assinado pelo Irã com as grandes potências mundiais.

O uso por Trump do termo "Golfo Arábico", ao invés de "Golfo Pérsico", irritou profundamente os iranianos, conhecidos por seu nacionalismo, que inundaram as contas no Twitter e Instagram do presidente americano.

As redes sociais e os sites de notícias publicaram imagens de lápides e medalhas de soldados americanos mortos na região com a menção "Golfo Pérsico", ao mesmo tempo que pediam a Trump que observasse as fotos para "melhorar sua geografia".

Um milhão de comentários foram publicados em sua conta no Instagram, em sua maioria escritos em persa. "O Golfo Pérsico existia antes de Cristóvão Colombo descobrir a América", afirmava um.

O ministro iraniano das Relações Exteriores, Mohamad Javad Zarif, também zombou do presidente americano.

"Todo mundo sabe que a amizade de Trump é vendida ao melhor lance. Agora sabemos que sua geografia também", tuitou.

No discurso de sexta-feira na Casa Branca, o presidente americano chamou o regime iraniano de "ditadura" e de "respaldo ao terrorismo". Teerã "semeia morte, destruição e caos no mundo" e "a agressão da ditadura iraniana continua a cada dia".

Também ameaçou "anular" o acordo nuclear de 2015 assinado entre o Irã e os países do grupo 5+1 (Estados Unidos, Rússia, China, França, Reino Unido e Alemanha), caso o Congresso americano e os aliados de Washington não endureçam os termos do acordo.

França, Reino Unido e Alemanha anunciaram, assim como a Rússia, que permanecem comprometidos com o acordo nuclear e criticaram a postura de Trump.

- 'Vontade de vomitar' -

Trump também irritou os iranianos com sua tentativa de demonstrar simpatia: muitos internautas criticaram a "hipocrisia" ao lembrar a decisão do presidente americano de proibir a entrada dos cidadãos do Irã nos Estados Unidos.

"Ontem à noite estava furiosa. Este indivíduo odeia tanto o Irã que mesmo se você discorda das ideias do regime apoia o governo", afirmou Leyla, de 42 anos, que administra uma loja de produtos artesanais em Teerã.

"Trump proibiu os iranianos de entrar nos Estados Unidos, como pode dizer que está do lado dos iranianos?", questionou.

"Profere tantos insultos que dá vontade de vomitar. Penso que seu discurso estava tão repleto de ódio que provocou apoio mundial ao Irã", afirmou.

Apesar da virulência de suas palavras, a estratégia de Trump não foi tão dura quanto alguns imaginavam. Ele não classificou a Guarda Revolucionária - o exército de elite iraniano - como uma organização terrorista.

"A tática da Guarda funcionou, Trump não se atreveu a classificá-los entre os grupos terroristas", afirma o jornal ultraconservador Kayhan.

O comandante da Guarda havia ameaçado os Estados Unidos, afirmando que se Trump tomasse tal atitude teria que deslocar suas bases militares na região a 2.000 km dos mísseis iranianos.

Na sexta-feira, o presidente iraniano Hassan Rohani criticou "as acusações sem fundamento" e os "insultos" de Trump. Ele disse que o americano não conhece a lei internacional porque não pode sozinho anular um acordo multilateral.

O Congresso dos Estados Unidos tem agora prazo de 60 dias para voltar a impor ou não as sanções americanas suspensas após o acordo nuclear, ou decidir por novas medidas.

"Se o Congresso adotar novas sanções, o acordo estará morto e o Irã retomará o programa nuclear pacífico a todo vapor (...) para mostrar aos americanos que se eles matarem o acordo, isto terá consequências", declarou à AFP Mohamad Marandi, professor de política internacional na Universidade de Teerã.

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AFP