Conteúdo externo

O seguinte conteúdo vem de parceiros externos. Nós não podemos garantir que esse conteúdo seja exibido sem barreiras.

O primeiro-ministro iraquiano, Nuri al-Maliki, que deixará o cargo, durante um encontro com o secretário de Estado americano, John Kerry, em Bagdá.

(afp_tickers)

O Iraque tenta virar a página do contestado Nuri al-Maliki com a nomeação de um novo primeiro-ministro nesta segunda-feira, diante da difícil tarefa de derrotar os jihadistas e unir o país.

O presidente americano, Barack Obama, fez uma pausa nas suas férias na ilha de Martha's Vineyard, em Massachusetts (nordeste), para falar da nomeação do premiê designado Haidar al-Abadi.

Obama pediu uma transição pacífica para um governo que representa todos os componentes da sociedade.

"Hoje, o Iraque dá um passo à frente promissor", afirmou.

"Essa nova liderança tem a difícil tarefa de recuperar a confiança de seus cidadãos, governando de maneira inclusiva e tomando medidas para mostrar sua determinação", disse.

"A única solução durável é que os iraquianos se unam e formem um governo inclusivo", insistiu Obama, depois das reiteradas críticas de que Maliki favoreceu a maioria xiita no país.

Obama reforçou seu apoio a Abadi e lhe pediu que "forme um novo gabinete o quanto antes".

"Peço a todos os líderes políticos iraquianos que trabalhem pacificamente para fazer o processo político avançar nos próximos dias", completou Obama.

União Europeia, Grã-Bretanha, França e ONU também felicitaram Haidar al-Abadi, que tem 30 dias para formar um governo que inclua todas as forças políticas do país.

Já Maliki, que acreditava ter a legitimidade para um terceiro mandato após a vitória de sua coalizão nas eleições legislativas, denunciou a nomeação de Abadi como uma "violação da Constituição", que, segundo ele, foi apoiada por Washington.

Mas essa rejeição não deve comprometer a transição política, já que o primeiro-ministro atual foi abandonado por seus aliados e pelos integrantes de sua própria coalizão, que o acusam de ter deixado o país à beira do abismo com sua política de exclusão da minoria sunita e postura autoritária.

"O país está em suas mãos", disse o presidente Fuad Massum, ao nomear Abadi, um integrante do partido Dawa, de Maliki, que lidera a coalizão do Estado de direito.

Abadi tinha sido escolhido com candidato da Aliança Nacional, o bloco parlamentar xiita, já que tradicionalmente o posto de premiê cabe a um xiita. A formação Estado de Direito faz parte da Aliança Nacional.

- Segurança reforçada em Bagdá -

A comunidade internacional pede a formação de um governo de união para que o governo enfrente a ofensiva iniciada pelos jihadistas sunitas do Estado Islâmico (EI) no dia 9 de junho. Os ultra-radicais continuam ocupando territórios no Iraque e cometendo abusos contra as minorias religiosas, causando o êxodo de centenas de milhares de pessoas.

Enquanto Maliki tem o apoio de oficiais das Forças Armadas, o representante especial da ONU em Bagdá, Nickolay Mladenov, pediu que os militares não se envolvam na transição política.

Enquanto isso, as forças especiais, a Polícia e o Exército se mobilizaram em posições estratégicas em Bagdá, onde as principais vias estavam fechadas e a Zona Verde, que abriga as sedes administrativas do governo e várias embaixadas, ficou ainda mais protegida.

Neste contexto, Abadi afirmou ao vice-presidente americano, Joe Biden, que tem a intenção de formar "rapidamente" um governo "capaz de enfrentar a ameaça do EI e construir um futuro melhor para os iraquianos de todas as comunidades", de acordo com a Casa Branca.

Depois de um grande período de hesitação, Washington decidiu ajudar os iraquianos lançando desde sexta-feira ataques aéreos contra posições jihadistas no norte iraquiano, para conter seu avanço em direção ao Curdistão e proteger o consulado americano em Erbil, capital dessa região autônoma.

O Departamento de Estado americano também anunciou o fornecimento de armas às forças curdas, iniciado na semana passada.

O Pentágono afirmou que não pretende estender seus ataques aéreos fora da região do norte iraquiano. "Os ataques contribuíram para conter o avanço das forças do EI em torno de Sinjar e no oeste de Erbil", explicou o general William Mayville.

- Situação humanitária trágica -

Uma reunião extraordinária dos embaixadores dos países da União Europeia foi convocada para terça-feira em Bruxelas para examinar os meios de conter o avanço do EI.

O Exército iraquiano tem fracassado em impedir que os jihadistas se apoderem de grandes partes do oeste, do leste e do norte do país, sem encontrar grande resistência.

No norte, as forças curdas, com poucos recursos financeiros e sobrecarregadas por terem que atuar em outras regiões depois da derrota do Exército, se viram obrigadas a bater em retirada.

Os jihadistas aproveitaram para se aproximar de Erbil, e tomar a represa de Mossul, a maior do país. Os ataques americanos permitiram aos peshmergas (combatentes curdos) retomar as cidades de Makhmur e Gwer, mas eles perderam Jalawla.

A situação humanitária permanece trágica: centenas de milhares de pessoas foram obrigadas a deixar suas casas, incluindo um grande número de cristãos expulsos de Mossul, segunda maior cidade do país, e da localidade cristã de Qaraqosh, em poder do EI.

A minoria de língua curda e não muçulmana dos yazidis também está sob ameaça desde a retomada de Sinjar, um de seus redutos. Refugiados nas áridas montanhas que circundam a região, milhares de yazidis tentam sobreviver entre a fome e os jihadistas, sob um calor que pode superar os 50°C. Washington, Londres e Paris enviaram produtos de primeira necessidade.

O Conselho de Segurança da ONU começou a redigir um projeto de resolução com o objetivo de cortar o fluxo de mantimentos, dinheiro e homens, dos jihadistas no Iraque.

AFP