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Isabel Allende apresenta seu novo livro em Madri

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A escritora chilena Isabel Allende destacou nesta quarta-feira em Santiago a "luta feroz" protagonizada por movimentos feministas no Chile na busca de conquistas, como a recente aprovação do aborto terapêutico, que venceu a resistência conservadora para se tornar lei.

"Estamos em um Chile muito conservador ainda, há movimentos femininos e feministas muito fortes que conseguiram, entre outras coisas, o aborto com uma luta feroz", disse a famosa escritora em um encontro na Universidade Diego Portales.

A lei de aborto em três casos -risco de vida para a mãe, inviabilidade do feto e estupro- superou na segunda-feira último seu obstáculo, quando o Tribunal Constitucional negou um recurso interposto por partidos conservadores, depois de ser aprovado pelo Congresso no começo do mês.

Em tom ameno e relaxado, Allende recordou como o feminismo aflorou em sua infância, e considerou que apesar dos avanços ainda há um longo caminho a ser percorrido para se chegar à equidade de gênero.

"As mamães continuam criando os filhos homens para serem servidos e as mulheres para servir. Aí começa o machismo, porque se nós mulheres fizéssemos um acordo em uma geração já teríamos acabado com esta estupidez", afirmou Allende, provocando aplausos de um auditório lotado, sobretudo por mulheres.

Allende, radicada nos Estados Unidos, promove no Chile seu mais novo romance "Más allá del invierno", uma obra que fala da esperança, do amor e da migração.

Aos 75 anos e com mais de 65 milhões de livros vendidos em vários idiomas, a romancista disse que para além de casos puntuais, como a presidência de Michelle Bachelet no Chile e as de outras mulheres, a saída para vencer o machismo está em gerar um "número crítico" de mulheres em cada setor.

Além de contar anedotas sobre sua vida que causaram gargalhadas no auditório, como a recente apresentação de seu marido a seu padrasto de 101 anos. Allende também comentou o cenário político na Venezuela, onde viveu por um longo período, e nos Estados Unidos, país em que mora atualmente.

"Quando me perguntam sobre a Venezuela, o país que eu adoro, sempre digo: as pessoas continuam sendo as mesmas. Os governos passam, os países ficam", afirmou.

"Estamos vivendo uma época de obscurantismo, em certas partes dos Estados Unidos, porque há uma tremenda resistência de ativismo, (...) os jovens estão muito ativos, tenho a esperança de que isso tenha sido uma sacudida brutal e que mudará", concluiu.

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AFP