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Bjarni Benidiksson

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Os islandeses votaram neste sábado (28) para eleger um novo Parlamento, em eleições antecipadas, nas quais a ilha se debateu entre a vontade de mudança depois dos escândalos que salpicaram a classe política e o desejo de uma estabilidade econômica.

Os eleitores começaram a votar às 09h GMT (07h de Brasília) e as seções fecharam às 22h GMT (20h de Brasília).

Espera-se que os resultados definitivos não sejam divulgados antes da manhã de domingo e estes tampouco poderão antecipar qual será o novo governo, já que as negociações para formar uma maioria poderiam durar várias semanas.

Há nove partidos na disputa, incluindo o conservador Partido da Independência, principal força política da ilha desde 1944, o movimento Esquerda-Verdes e o Partido Pirata.

Na abertura do centro de votação da Prefeitura, na capital, Ragnar Veigar Gudmundsson, um funcionário público de 39 anos, depositou sua cédula com esperanças de que haja uma alternância.

"Tenho aversão ao compadrio", afirmou, em alusão às acusações de despotismo contra a classe dirigente deste país com 335 mil habitantes desde a crise financeira de 2008 e o escândalo dos Panama Papers.

O primeiro-ministro e líder do Partido da Independência, Bjarni Benediktsson, anunciou em setembro que seriam realizadas eleições antecipadas, depois que seu aliado governamental, o partido de centro Futuro Radiante, se retirou da coalizão, apenas nove meses depois de sua chegada ao poder, resultado de longas negociações.

Segundo as últimas pesquisas, de sexta-feira, o Partido da Independência obteria 17 assentos dos 63 do Parlamento, quatro a menos que nas eleições anteriores.

Esse resultado poderia deixá-lo na oposição, já que em conjunto o Esquerda-Verdes, os social-democratas da Aliança e o Partido Pirata somariam, segundo as consultas, 29 parlamentares.

E poderiam buscar um quarto aliado para alcançar a maioria de 32 assentos para formar um governo.

A história recente, no entanto, mostra que os partidos de esquerda têm enfrentado dificuldades para se associar a fim de governar.

Os social-democratas governaram com o movimento Esquerda-Verdes entre 2009 e 2013 depois da renúncia do governo conservador, acusado de negligência durante a crise financeira de 2008, que arrasou a pequena ilha vulcânica do extremo norte da Europa.

Enquanto esteve no poder, a esquerda presidiu a redação da nova Constituição "por" e "para" os cidadãos, que fez com que o país se tornasse um exemplo de combate à corrupção.

Mas nas eleições de 2013, os eleitores optaram pelas promessas de maior prosperidade dos conservadores Partido do Progresso e Partido da Independência.

Os conservadores também poderiam buscar alianças e recorrer a seus antigos parceiros do Partido do Progresso, o Partido de Centro e o Partido Renascimento, que somariam entre 16 e 17 assentos.

"Estas cifras me dizem que precisamos de um impulso", admitiu Benediktsson.

- Escândalos -

Estas são as quartas eleições legislativas desde a crise financeira de 2008.

Desde então, o país, que esteve à beira da falência após o colapso de seus três principais bancos, conseguiu uma recuperação espetacular, mas entre a cidadania persiste a raiva e a falta de confiança com uma classe política salpicada por vários escândalos, como os Panama Papers.

Há um ano, o país votava em eleições antecipadas após a renúncia do então premiê, Sigmundur David Gunnlaugsson, mencionado em tais documentos.

Mais de 600 islandeses apareceram na publicação, um número extremamente alto para os 335.000 habitantes da ilha.

O nome de Benediktsson, então ministro das Finanças, também estava na lista. Apesar disso, tornou-se primeiro-ministro em janeiro de 2017, com uma maioria de um assento.

Apesar dos escândalos e da hipótese de um retorno da esquerda ao poder, é provável que as eleições confirmem a implantação do Partido da Independência.

Eva Sveinsdottir, eleitora de 33 anos fiel aos conservadores, avaliou que "Bjarni" e seus parceiros políticos "desempenharam um papel importante" para impedir que a Islândia sucumbisse à tentação de se unir à União Europeia depois da crise de 2008.

Em 2016, a economia islandesa cresceu 7,2% e no segundo trimestre de 2017 a expansão foi de 3,4%.

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AFP