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Isolamento geográfico beneficia Paraguai na luta contra o coronavírus

Um homem carrega kits com suprimentos distribuídos por militares em uma área de baixa renda em Assunção, em 20 de maio de 2020, em meio à pandemia de coronavírus. afp_tickers
Este conteúdo foi publicado em 26. maio 2020 - 18:09
(AFP)

O isolamento geográfico do Paraguai, sem litoral e com tráfego aéreo pequeno comparado às grandes capitais da América do Sul, favorece muito a obtenção de resultados na luta contra o novo coronavírus, concordaram epidemiologistas e autoridades de saúde.

"O fato do Paraguai ser cercado por terras é uma vantagem. Os casos positivos são quase todos do exterior. Há pouca detecção na comunidade", disse à AFP o epidemiologista Antonio Arbo, ex-ministro da Saúde.

O relatório de segunda-feira registrou três novas infecções no país, num total de 865, e 11 mortes. O primeiro caso no país foi registrado em 7 de março.

Um mês antes, o governo cancelou vistos concedidos a cidadãos chineses e estrangeiros procedentes da China.

As aulas foram suspensas, os voos comerciais foram proibidos e, em 17 de março, as fronteiras com o Brasil e a Argentina foram fechadas.

"Se não agíssemos imediatamente, os cálculos mais conservadores indicam que teríamos mais de 15.000 casos", disse à AFP o ministro da Saúde, Julio Mazzoleni, que reconhece a vulnerabilidade do sistema.

O médico Ricardo Iramain, diretor do Comitê de Emergência da Sociedade Latino-Americana de Terapia Intensiva (Slacip), concordou que a conjunção "localização mediterrânea, isolamento e quarentena precoce foi decisiva".

Arbo reconhece que "o colapso foi evitado", mas espera que o pico de circulação do vírus seja entre junho e agosto. "O pior que poderemos ver em dois meses", disse ele.

A Organização Mundial da Saúde declarou na semana passada que a América do Sul é o novo epicentro da pandemia.

- "Quarentena inteligente" -

Na segunda-feira, o Paraguai iniciou uma segunda fase da chamada "quarentena inteligente", um retorno gradual às atividades.

Para a terceira, prevista para meados de junho, é esperado o retorno de esportes coletivos sem público e a reabertura de templos.

O governo destinou US $ 1,6 bilhão para combater a pandemia, entre ajuda social e investimento no sistema de saúde.

Foram construídos dois hospitais modulares em 30 dias, com um total de 200 leitos, apesar de menos de 7 pacientes necessitarem de internação no fim de semana.

Quando a crise começou, o sistema possuía 800 leitos de terapia intensiva no país de 7,2 milhões de habitantes, com 2 milhões estão em situação de pobreza (29%), segundo a Secretaria de Planejamento.

Os profissionais de saúde se dividem em 12.000 médicos e 20.000 enfermeiros. Com 110 terapeutas o sistema contatou outros 500. "Não estamos preparados para cenários como os da França ou da Itália", admitiu o vice-ministro da Saúde, Julio Rolón.

- "Insensatez brasileira" -

Em relação à ameaça da multiplicação de casos no Brasil, país com o qual o Paraguai compartilha uma extensa fronteira, Arbo disse que "a insensatez brasileira em algum momento vai pagar seu preço".

Com mais de 370.000 casos e 23.473 mortes até agora, o Brasil é o país mais afetado da América Latina.

"A única coisa que salvaria o Paraguai seria manter suas fronteiras fechadas", disse Arbo.

Em relação à Argentina, que soma mais de 12.600 casos e 467 mortes, ele disse que "tem uma média muito boa".

Os paraguaios esperam mais de 25.000 repatriados nas próximas semanas. Todos os dias eles chegam da Argentina e do Brasil, principalmente porque perderam os empregos devido à pandemia.

Eles são alojados em abrigos em uma "quarentena voluntária". Mas o perigo é o contágio. "Vários chegaram saudáveis e adquiriram a doença em abrigos", revelou Iramain. Felizmente, hotéis já foram disponibilizados para os quem chegam do exterior", acrescentou.

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