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O presidente americano, Donald Trump, em Jerusalém, em 22 de maio de 2017

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O governo de Israel aprovou no domingo à noite uma série de medidas que pretendem facilitar a vida dos palestinos e favorecer sua economia, a pedido do presidente americano, Donald Trump, que desembarca nesta segunda-feira no Estado hebreu.

A administração Trump, que pretende reativar um processo de paz estagnado entre israelenses e palestinos, pede que as duas partes adotem medidas para ajudar a restaurar um clima de confiança que favoreça o reinício das negociações.

As decisões "foram tomadas a pedido do presidente americano Donald Trump, em forma de medidas para instaurar a confiança", afirmou uma fonte israelense.

"O presidente saúda a decisão israelense", afirma um comunicado divulgado pelo consulado dos Estados Unidos em Jerusalém.

"Estimula as duas partes a adotar medidas que criem um ambiente mais favorável à paz. O presidente expressou em especial o desejo de que sejam adotadas medidas para favorecer a economia palestina na Cisjordânia e na Faixa de Gaza", completou o consulado.

O governo israelense decidiu prolongar gradualmente o horário de abertura da passagem de fronteira de Allenby Bridge (ou ponte do rei Hussein), um ponto importante para os palestinos entre Cisjordânia e Jordânia, com o objetivo, a longo prazo, de deixar o local aberto 24 horas os sete dias da semana, informou uma fonte do governo que pediu anonimato.

Israel controla todos os acessos da Cisjordânia, território palestino ocupado há 50 anos.

O governo israelense também aprovou a expansão de um ponto de passagem entre a Cisjordânia e Israel perto de Tulkarem (norte da Cisjordânia). Dezenas de milhares de palestinos trabalham no território de Israel.

O governo israelense também aprovou medidas sobre o uso da terra, segundo a mesma fonte.

Não foram divulgados mais detalhes, mas de acordo com a imprensa israelense as medidas incluiriam um tema extremamente sensível para o governo: a entrega de permissões aos palestinos para construir em uma zona chamada "C", ou seja, a área na qual Israel tem controle militar e civil completo e que representa quase 60% da Cisjordânia.

A obtenção das permissões na zona C é praticamente impossível para os palestinos atualmente.

Dois ministros do governo israelense, Naftali Benett e Ayelet Shaked, expressaram oposição veemente a esta medida, segundo a imprensa.

Benett e Shaked são fervorosos defensores das colônias, que ficam na zona C. Eles são contrários à criação de um Estado palestino independente e a concessão de permissões aos palestinos na zona C provoca temores sobre o futuro das colônias caso o conflito alcance uma solução.

Trump também solicitou medidas de confiança por parte dos palestinos. Ele se mostrou muito receptivo ao discurso do governo israelense de que a Autoridade Palestina estimula a violência anti-israelense e paga aos autores de atentados.

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