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(Maio) Colônia israelense em Ramallah, Cisjordânia

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Israel decidiu avançar com seus projetos de colonização na Cisjordânia ocupada, com a construção de mais de 3.000 novas unidades habitacionais aprovadas em dois dias, em pleno aniversário da Guerra dos Seis Dias.

A guerra árabe-israelense de junho de 1967 marca o início da ocupação e colonização dos Territórios Palestinos por Israel.

Na terça-feira, uma comissão do Ministério da Defesa de Israel autorizou os projetos de construção de 1.500 habitações.

Tais projetos atravessam uma série de etapas processuais antes da aprovação final e o início da construção.

A mesma comissão anunciou na quarta-feira sua aprovação provisória de cerca de 1.500 habitações, segundo informou nesta quinta-feira a organização israelense Paz Agora. Ao todo, 3.178 projetos avançaram esta semana, indicou à AFP o porta-voz da organização, Hagit Ofran.

A construção de assentamentos civis em território ocupado é ilegal sob a lei internacional. Também é considerada por grande parte da comunidade internacional como um obstáculo à paz entre Israel e palestinos.

Mais de 600.000 colonos israelenses vivem atualmente uma situação muitas vezes conflituosa com cerca de três milhões de palestinos na Cisjordânia e em Jerusalém Oriental, também ocupado desde 1967 e anexado por Israel.

A colonização avançou em todos os governos israelenses desde então.

O processo não apenas abocanha o território sobre o qual os palestinos aspiram formar um Estado independente que coexista com Israel, como também quebra a continuidade dos territórios, tornando impossível a criação de um Estado palestino e, assim, a realização da chamada solução de dois Estados, referência diplomática da comunidade internacional, segundo seus detratores.

O presidente palestino Mahmud Abbas considerou que as aprovações esta semana confirmam que "Israel multiplica os obstáculos e destrói as chances de reviver o processo de paz."

- O "privilégio" de Netanyahu -

O primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, contesta que a colonização dificulta a busca pela paz e atribui a estagnação do processo à recusa palestina de reconhecer a existência de um Estado judeu.

O governo de Netanyahu, considerado o mais à direita da história de Israel, tem alegrado os defensores da colonização.

Na terça-feira deu garantias aos colonos, garantindo que Israel irá continuar a construir em terras palestinas e que nenhum deles será "desalojado".

No momento em que o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, procura reviver os esforços de paz, Netanyahu se gaba de ser o primeiro chefe de governo em "décadas" a ter "o privilégio" de construir um novo assentamento na Cisjordânia.

Em sua maioria, as mais de 3.000 unidades habitacionais em jogo esta semana serão construídas em assentamentos existentes.

Mas, entre elas, 102 unidades farão parte do primeiro assentamento novo em 25 anos.

Logo após a posse de Trump, Israel fez cinco anúncios de colonização sobre mais de 6.000 novas unidades habitacionais na Cisjordânia e em Jerusalém Oriental.

Trump tem se mantido silencioso sobre o assunto em suas declarações públicas.

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