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Equipes de socorro retiram o corpo de um dos mortos no ataque contra a mesquita de Al Qasam em Gaza, em 9 de agosto de 2014

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Aviões israelenses realizaram, neste sábado, cerca de 40 bombardeios em Gaza, matando cinco palestinos, enquanto os militantes de Gaza lançaram 14 foguetes para Israel, no momento em que as perspectivas das negociações no Cairo seguiam incertas.

Três mesquitas desse pequeno território palestino - situadas em Zeitun, Jabaliya e Nuseirat - foram destruídas, segundo o Ministério do Interior palestino e o Exército. Israel suspeitava que pelo menos duas delas estivessem ligadas ao movimento islâmico Hamas.

Três corpos foram recuperados dos escombros da mesquita de Al-Qassam, em Nuseirat. Nela, apenas um minarete ficou de pé, constatou a AFP.

Outros dois palestinos morreram em um bombardeio israelense "contra uma motocicleta" no campo de refugiados de Al-Maghazi, segundo o porta-voz dos Serviços de Emergência, Ashraf al-Qudra.

Pelo menos 14 foguetes foram lançados de Gaza para Israel, neste sábado, sem deixar vítimas - declarou o Exército israelense, acrescentando que 40 ataques aéreos foram lançados nesse enclave.

Desde seu início, em 8 de julho, o conflito deixou pelo menos 1.898 palestinos mortos, civis em sua maioria, e matou 67 israelenses, quase todos soldados. Segundo a ONU, 447 crianças palestinas foram mortas.

Os combates não foram retomados com a mesma intensidade depois da trégua de três dias, o que alimenta a esperança de um novo cessar-fogo.

Negociações no Cairo

Hamas advertiu neste sábado que não fará "nenhuma concessão" a Israel. "Não haverá marcha a ré. A resistência continuará com todas suas forças. A intransigência do ocupante (israelense) não contribuirá em nada, e não faremos nenhuma concessão sobre as exigências do nosso povo", afirmou em uma nota Fawzi Barhum, um porta-voz do movimento islâmico em Gaza.

Já uma fonte palestina ligada aos negociadores do Cairo disse à AFP que os egípcios se colocaram "de acordo com os palestinos sobre uma nova versão de um (projeto de) acordo", que deve ser apresentado neste sábado à noite aos israelenses.

"Esperamos que as partes acertem uma extensão do cessar-fogo nas próximas horas", declarou a porta-voz do Departamento de Estado americano, Marie Harf.

Israel já advertiu que não negociará sob as bombas, e o primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, ordenou que os lançamentos de foguetes sejam respondidos com "contundência".

Em uma entrevista publicada neste sábado pelo jornal "The New York Times", o presidente americano, Barack Obama, admitiu que a influência dos Estados Unidos sobre israelenses e palestinos tinha limites na hora de buscar uma solução para o conflito.

Obama acrescenta que Netanyahu conta com um forte apoio em Israel - a maioria dos cidadãos apoia a ofensiva na Faixa de Gaza - e que o presidente palestino, Mahmud Abbas, é mais fraco nos territórios.

Entre outros pontos, os palestinos reivindicam a suspensão do bloqueio israelense imposto em 2006 à Faixa de Gaza, que asfixia a economia local e mantém na pobreza a população local de 1,8 milhão de habitantes. Pedem ainda a libertação de 125 presos detidos em Israel.

Embora tenha retirado todas as tropas da Faixa após o início da trégua na última terça-feira, 5 de agosto, Israel mantém suas forças ao longo da fronteira, preparadas para reagir diante de qualquer eventualidade.

Na Cisjordânia ocupada, tropas israelenses mataram dois palestinos em violentos confrontos, segundo os serviços de emergência palestinos.

No sul de Israel, o Exército proibiu as congregações de mais de 500 pessoas em um raio de 40 quilômetros da fronteira com a Faixa.

O grupo israelense Paz Agora convocou para este sábado à noite uma manifestação em Tel Aviv contra a guerra.

Potências pedem cessar-fogo

França, Grã-Bretanha e Alemanha pediram a Israel e ao Hamas que façam um cessar-fogo imediato na Faixa de Gaza.

"Estamos muito preocupados com a retomada das hostilidades na Faixa de Gaza. Pedimos as duas partes que voltem imediatamente a uma trégua", afirmaram os ministros Laurent Fabius (França), Philippe Hammond (Grã-Bretanha) e Frank-Walter Steinmeier (Alemanha).

"Damos todo nosso apoio aos esforços feitos pelo Egito a respeito. Todas as partes devem tomar medidas imediatas para responder às necessidades humanitárias, o que inclui facilitar o acesso à população", afirmaram Fabius, Hammond e Steinmeier.

AFP