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Explosão do céu de Gaza, após bombardeio israelense, em 17 de julho de 2014

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Os soldados israelenses, apoiados por tanques e pela aviação, entraram nesta sexta-feira no segundo dia da ofensiva terrestre na Faixa de Gaza, que pretende destruir as infraestruturas e o armamento do movimento islamita palestino Hamas, apesar do risco para os civis.

Pelo menos 19 palestinos e um soldado israelense morreram nas últimas horas. A operação terrestre começou na quinta-feira à tarde, apesar dos apelos da comunidade internacional ao governo de Israel para tentar evitar as vítimas civis.

A maioria dos confrontos aconteceu no sul do território de 360 quilômetros quadrados, em Khan Yunes e em Rafah, e na zona norte, perto da fronteira com Israel.

O posto de fronteira israelense de Erez, único ponto de passagem para pedestres, foi fechado.

O objetivo principal das tropas terrestres, que entraram por vários pontos na Faixa de Gaza - delimitada por Israel, Egito e pelo mar Mediterrâneo - é destruir os túneis subterrâneos de contrabando construídos pelo Hamas, que controla o território, para introduzir mercadorias, dinheiro e armas.

A operação começou depois de uma breve trégua humanitária de cinco horas na quinta-feira.

Pelo menos 260 palestinos morreram desde o início da ofensiva de Israel, há 11 dias, contra a Faixa de Gaza com o objetivo de interromper os lançamentos de foguetes a partir do território.

Durante o mesmo período, dois israelenses morreram, segundo o exército.

O governo israelense ordenou na noite de quinta-feira ao Exército o início da operação terrestre, anunciou o gabinete do primeiro-ministro Benjamin Netanyahu.

"O primeiro-ministro e o ministro da Defesa ordenaram na noite desta quinta-feira que o Exército iniciasse uma operação terrestre e penetrasse na Faixa de Gaza para destruir os túneis utilizados para atividades terroristas em Israel", indica o gabinete do primeiro-ministro em um comunicado.

"A decisão foi aprovada pelo gabinete de segurança devido à recusa do Hamas em aceitar o plano egípcio de um cessar-fogo e à manutenção dos disparos de foguetes contra Israel".

Logo depois do anúncio da invasão terrestre a Gaza, o Hamas advertiu que Israel vai pagar um "alto preço".

"O início da ofensiva terrestre israelense em Gaza é um passo perigoso, de consequências que não foram calculadas", afirmou o porta-voz do Hamas, Fawri Barhum, em um comunicado.

"Israel vai pagar um alto preço e o Hamas está preparado para o confronto", acrescentou.

O presidente palestino, Mahmud Abbas, afirmou que a ofensiva provocará apenas "mais derramamento de sangue" e complicará os esforços para acabar com o conflito na Faixa de Gaza.

Segundo o chefe no exílio do Hamas, Khaled Mechaal, "o que o ocupante israelense não conseguiu realizar com seus ataques aéreos e navais não obterá com sua ofensiva terrestre, que está condenada ao fracasso".

"Temos reivindicações claras: o fim da agressão e das punições coletivas contra nosso povo na Faixa de Gaza e na Cisjordânia, e a suspensão total do cerco a Gaza", destacou Mechaal.

Reações internacionais

O secretário-geral das Nações Unidas, Ban Ki-moon, lamentou a operação terrestre, enquanto a França manifestou preocupação, ressaltando que "é essencial proteger as populações civis e evitar novas vítimas".

O secretário americano de Estado, John Kerry, telefonou ao premier Netanyahu para "destacar a necessidade de se evitar uma nova escalada" na Faixa de Gaza e "se restaurar a trégua de 2012 o mais cedo possível".

Kerry reforçou o compromisso de Washington "com a iniciativa egípcia" para uma trégua e destacou "a importância de que o Hamas aceite este plano assim que possível".

Netanyahu destacou durante o diálogo a "ameaça iminente" para os civis israelenses que representam os túneis do Hamas entre a Faixa de Gaza e Israel.

Kerry reconheceu a ameaça e o direito de Israel de se defender, mas pediu uma operação precisa, que tenha como alvo apenas os túneis", destacou o departamento de Estado.

O Egito denunciou "a escalada" israelense e pediu que as partes em combate aceitem sua proposta de trégua.

AFP