Conteúdo externo

O seguinte conteúdo vem de parceiros externos. Nós não podemos garantir que esse conteúdo seja exibido sem barreiras.

Partidários do Movimento Cinco Estrelas protestam em Roma antes da votação da lei

(afp_tickers)

O Parlamento italiano aprovou nesta quinta-feira uma nova lei eleitoral, visando às eleições legislativas previstas para o início de 2018, apesar da oposição do Movimento 5 Estrelas (populista), que se considera penalizado por esta reforma.

A nova lei foi aprovada no Senado por 214 votos a 61, depois de ter sido validada nos mesmos termos pelos deputados há quinze dias.

A fim de aumentar as chances de adoção da lei, o governo de centro-esquerda optou por se comprometer com o texto "Rosatellum", nome do deputado que o criou, Ettore Rosato.

A lei prevê a eleição de 225 deputados numa votação majoritária uninominal (o candidato que obtiver a maioria dos votos é eleito) e de 386 em votação proporcional, e um sistema similar para o Senado, o que não era o caso até o momento presente.

Um dispositivo que, dada a fragmentação da classe política italiana, não garante alcançar uma maioria estável no Parlamento.

"Ao misturar sistemas majoritário e proporcional, a lei favorece os partidos capazes de formar coalizões, como é o caso do Partido Democrata e dos dois partidos de oposição, a Liga do Norte (de Matteo Salvini) e Forza Italia (de Silvio Berlusconi)", explicou à AFP Franco Pavoncello, professor de ciência política na Universidade Americana de Roma.

"O Movimento 5 Estrelas, que sempre recusou qualquer aliança, é provavelmente o partido mais penalizado pelo texto", diz.

Desde a apresentação do texto aos parlamentares, o líder do M5S, Beppe Grillo, e suas tropas não pouparam palavras para condenar uma lei que consideram "antidemocrática" e "anticonstitucional".

"Este país não tem defesas imunológicas para proteger a democracia", afirmou na quarta-feira para milhares de partidários reunidos em frente ao Panteão, em Roma, para protestar contra uma lei destinada, segundo eles, a excluir do poder "o primeiro partido da Itália".

- Sistema tripolar -

"O objetivo é nos aniquilar. É uma violação das leis democráticas, um golpe mortal para a democracia", disse Luigi Di Maio, jovem candidato do movimento antissistema para o cargo de primeiro-ministro.

As pesquisas mais recentes apontam o M5S com 28% das intenções de voto, à frente do Partido Democrata (26%), da Liga do Norte (14%) e Forza Italia (13%).

"A chegada do M5S no campo político perturbou o antigo esquema bipolar italiano, no qual a direita e a esquerda estavam alternadamente no poder", explica Franco Pavoncello.

"No atual sistema tripolar - direita, esquerda e M5S -, a nova lei eleitoral, que exige acordos entre diferentes campos, pode representar um problema de governabilidade, como a Itália conhece há décadas", afirma.

Sem contar que uma quarta força, a Liga do Norte (antieuro e anti-imigração) pode reembaralhar as cartas, apostando no sucesso do referendo de domingo de autonomia na Lombardia e no Vêneto.

Nas duas regiões mais de 95% votaram sim, embora a participação não tenha excedido 38% na Lombardia.

"Haverá, com certeza, um 'efeito referendo' para a Liga do Norte, que não deixará de dizer que, se os eleitores quiserem ver os resultados dessa consulta traduzidas em lei, votará em seus candidatos", diz à AFP Gianfranco Pasquini, professor de ciências políticas da Universidade Johns Hopkins de Bolonha.

"Também podemos esperar um desastre para o Partido Democrata no Norte, onde uma grande maioria dos colégios uninominais deve ser conquistada pelos candidatos da Liga, ou aqueles da Forza Italia que alcançarem acordos com ela", prevê.

E não é certo, segundo ele, de que os resultados do Partido Democrata na Emilia-Romagna ou na Toscana, duas regiões tradicionalmente à esquerda, compensem as perdas.

Esta é a quarta tentativa, em pouco mais de 20 anos, de estabilizar o sistema político italiano através de uma reforma eleitoral, após as chamadas leis "Mattarellum" em 1993, "Porcellum" em 2005 e "Italicum" em 2015.

O governo liderado por Paolo Gentiloni é o 64º na Itália desde 1948.

Neuer Inhalt

Horizontal Line


subscription form

formulário para solicitar a newsletter

Assine a newsletter da swissinfo.ch e receba diretamente os nossos melhores artigos.

swissinfo.ch

Banner da página Facebook da swissinfo.ch em português

AFP