O ex-ativista de extrema esquerda Cesare Battisti, condenado na Itália por ter participado de quatro assassinatos nos anos 1970, ingressou nesta segunda-feira (14) em um presídio na ilha da Sardenha para cumprir pena de prisão perpétua, após permanecer foragido durante 40 anos.

O avião Falcon 900 que levou à Itália esta figura dos "anos de chumbo" aterrissou no final da manhã no aeroporto de Ciampino, em Roma. Battisti, de 64 anos, desembarcou sorridente e sem algemas, cercado por uma dúzia de policiais.

Detido no sábado em Santa Cruz de la Sierra, no leste da Bolívia, e expulso no domingo, foi transferido para uma sala do aeroporto para ser notificado das atas jurídicas de sua condenação.

"Eu sei que vou para a cadeia", declarou Battisti, que parecia resignado, segundo fontes policiais. No avião, falou sobre a sua vida e sua fuga do Brasil para a Bolívia, mas, sobretudo, dormiu, visivelmente tranquilo.

Posteriormente, foi levado em um comboio de viaturas para outro avião, com destino à prisão de Oristano, no oeste da Sardenha, uma penitenciária de alta segurança, onde chegou depois do meio-dia.

De acordo com a mídia italiana, esta prisão, inaugurada em 2012, abriga mais de 250 detentos, muitos dos quais estão sujeitos ao regime severo chamado "41bis", previsto para membros da máfia. Cada cela tem um banheiro e uma pequena cozinha.

Conforme o regulamento da prisão perpétua, Battisti deve permanecer em regime de isolamento por seis meses.

- 'Só o começo' -

"Em nome de 60 milhões de italianos, quero agradecer às forças de segurança por ter nos dado este sol, esta esperança, esta certeza, esta confiança reencontrada na Justiça. O clima mudou, quem erra tem que pagar, a Itália é um país soberano, livre, respeitado, respeitoso e respeitável", declarou o ministro do Interior, Matteo Salvini.

"Depois de 37 anos, finalmente, um assassino, um criminoso, uma pessoa infame, um covarde que nunca pediu perdão, terminará onde deveria ir. E não é o fim, é só o começo", acrescentou, evocando "as dezenas" de outros atores dos "anos de chumbo" ainda foragidos na França ou na América Latina.

Na Itália, a prisão de Battisti foi saudada por unanimidade, da direita à esquerda do espectro político, em particular porque o ex-líder dos Proletários Armados pelo Comunismo (PAC) alega sua inocência e nunca expressou arrependimento.

"Um criminoso e um arrogante", disse Nicola Zingaretti, principal candidato à presidência do Partido Democrata (PD, centro-esquerda), que pediu a mesma firmeza contra os militantes fascistas.

- Protegido na França e no Brasil -

Battisti foi condenado pela primeira vez na Itália no início da década de 1980, a 13 anos de prisão por pertencer ao PAC durante os "anos de chumbo". Fugiu em 1981.

Foi julgado à revelia em 1993 e condenado à prisão perpétua por quatro homicídios e cumplicidade em outros assassinatos no final dos anos 1970.

Viveu por 15 anos no exílio na França, protegido pelo governo socialista de François Mitterrand, onde se tornou um autor de sucesso de romances policiais.

Depois de um período no México, retornou à França, mas, em 2004, se viu obrigado a sair desse país: Os ventos políticos mudaram. Se refugiou clandestinamente no Brasil, antes de ser preso no Rio de Janeiro em 2007.

Em 2010, Lula negou sua extradição para a Itália após um longo processo judicial com uma estadia na prisão. No último dia do seu mandato, lhe outorgou o status de refugiado político.

Battisti se casou com uma brasileira, com quem teve um filho em 2013.

Em 13 de dezembro, um juiz do Supremo Tribunal Federal ordenou a sua prisão "para ser extraditado". A extradição foi assinada no dia seguinte pelo então presidente, Michel Temer, a quem Jair Bolsonaro sucedeu em 1º de janeiro.

Mas as autoridades brasileiras perderam seu rastro. Segundo uma fonte do governo boliviano, Battisti entrou no país "ilegalmente".

Usando a geolocalização de celulares de seu entorno, que usou para se conectar às redes sociais, foi detectado na semana passada em Santa Cruz de la Sierra, onde as polícias boliviana e italiana prepararam a sua prisão.

Ele havia solicitado o status de refugiado político na Bolívia, mas o governo de Evo Morales não deu prosseguimento ao seu pedido.

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