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(12 jun) O ator americano Bill Cosby

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O júri do processo contra o famoso ator Bill Cosby se retirou da sala na segunda-feira para decidir se o declarará culpado ou inocente de uma agressão sexual cometida há 13 anos.

Em um dos maiores julgamentos de uma celebridade americana em muitos anos, o pioneiro ator negro de 79 anos que caiu em desgraça pode enfrentar uma pena máxima de 10 anos de prisão e uma multa de 25.000 dólares por três acusações de agressão sexual agravada.

Cerca de 60 mulheres acusaram o comediante, vencedor de vários Emmys, de ser um predador sexual e de ter abusado delas ao longo de quatro décadas, o que arruinou a sua carreira e a sua reputação.

Mas o julgamento se foca em somente uma denúncia, a única cujos delitos não prescreveram. Andrea Constand, uma canadense de 44 anos, o acusa de ter dado medicamentos e de tocar suas partes íntimas há 13 anos em sua mansão nos arredores da Filadélfia.

Cosby admite o ocorrido em 2004, mas assegura que a relação com ex-diretora de operações de uma equipe feminina de basquete da Universidade Temple foi consensual.

Adorado durante décadas por seu papel como o afável pai de família e ginecologista Cliff Huxtable no famoso programa "The Cosby Show", hoje o ator se vê abandonado por legiões de amigos famosos.

Enquanto a acusação fez o requerimento de cinco dias, na semana passada, para apresentar o caso contra Cosby em frente a um júri composto por 12 pessoas no tribunal de Norristown, na Filadélfia, a defesa terminou em poucos minutos o interrogatório de uma testemunha, Richard Shaeffer, um dos policiais que recebeu a denúncia de Constand.

Depois começaram as alegações finais de ambas as partes. Andrea Constand entrou na sala acompanhada por sua mãe e se sentou no banco do público para escutá-los.

Cosby confirmou nesta segunda-feira que não seria testemunha em seu próprio julgamento, como já havia assinalado.

Pela primeira vez, Camille, esposa do ator há 53 anos, compareceu à audiência.

"Você decidiu não ser testemunha neste caso, correto?", perguntou o juiz Steven O'Neill nesta segunda, ao iniciar a segunda semana do julgamento.

"Sim", respondeu Cosby.

"É a sua decisão não testemunhar?", insistiu o juiz.

"Sim", declarou o acusado sob o olhar de sua esposa.

Constand, que tinha 30 anos quando ocorreram os fatos, disse que foi à casa de Cosby, a quem considerava "um mentor", para pedir um conselho porque queria mudar de trabalho.

Cosby declarou que deu à mulher três comprimidos do anti-histamínico Benadryl e vinho somente para que ela relaxasse, e a acusa de mentir. Constand diz que Cosby lhe assegurou que eram só pastilhas herbais.

Os especialistas afirmam que este caso se limita à palavra dela contra a dele.

- Defesa agitada -

Em um argumento de encerramento de 90 minutos, o advogado principal de Cosby, Brian McMonagle, disse que Constand tentou esconder da polícia a relação emocional que tinha com Cosby e declarou que ela teria inventando as acusações para se aproveitar dele.

"Estava no telefone com os advogados antes de contar a sua mãe", disse, levantando a voz, agitado.

"Não deixem que ela se declare vítima", pediu ao júri.

McMonagle destacou inconsistências de Constand, que inicialmente afirmou que a agressão aconteceu em diferentes datas e que variou os detalhes sobre os fatos ocorridos antes e depois do episódio.

Constand reportou pela primeira vez o episódio à polícia mais de um ano depois do ocorrido, no início de 2005, e pediu que alguns trechos do relatório policial fossem removidos.

"Por que quer chamá-lo de algo que não é?", disse McMonagle. "Só diga isso".

O promotor do condado de Montgomery, Kevin Steele, disse ao júri que "fingir que foi uma relação que teve vários níveis não tem sentido".

Assegurou que o que aconteceu nessa noite foi uma agressão, porque ninguém sob o efeito de medicamentos que lhe deixaram inconsciente pode dar seu consentimento a nada.

Cosby "sabia exatamente o que estava fazendo e o que ia acontecer", afirmou o promotor, na origem da reativação do caso que tinha sido abandonado em 2005.

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