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O líder trabalhista britânico Jeremy Corbyn

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Aos 68 anos, o líder trabalhista britânico Jeremy Corbyn foi o grande vencedor das legislativas desta quinta-feira, aumentando o número de cadeiras do Partido Trabalhista no Parlamento, depois de ser combatido por seu próprio grupo.

Corbyn propôs um programa bastante à esquerda e conduziu uma campanha eleitoral agitada, com grandes comícios, enquanto sua rival Theresa May decepcionava os seus partidários.

Com 29 assentos a mais, de acordo com os resultados quase definitivos, seu partido, segundo atrás dos Tories, conquistou o que poucos acreditavam ser possível, enquanto os conservadores e os separatistas escoceses viviam uma noite difícil.

"Nossa posição é clara, queremos um Brexit que proteja os empregos", declarou nesta sexta-feira, afirmando que o processo de saída da União Europeia "deve seguir adiante porque o Artigo 50 (do Tratado de Lisboa) foi ativado".

Após pedir a renúncia de Theresa May, a fim de ceder seu lugar a um governo "realmente representativo", Jeremy Corbyn assumiu uma posição de líder, afirmando que seu partido estava "pronto para conduzir as negociações em nome do país".

Dois anos se passaram desde que foi escolhido à frente do partido, prometendo criar "uma sociedade em que as pessoas marginalizadas não são ignoradas", sem medo de falar em um aumento dos impostos ou na contratação de mais funcionários públicos.

Contra a austeridade orçamentária, liderou a oposição à guerra do Iraque e defende a renacionalização das ferrovias, símbolo das privatizações da era de Margaret Thatcher.

Linguagem e propostas que seduziram os jovens militantes, mas que fazem tremer os deputados, convencidos, desde Blair, de que não há nenhuma maneira de vencer uma eleição sem as classes médias e um certo liberalismo.

Corbyn usa barba bem aparada, fala com voz suave e tem um discurso pausado. Veste-se bem, mas não se dá ao luxo dos magníficos alfaiates de Savile Row.

É deputado pelo bairro londrino de Islington, no norte da cidade, desde 1983.

"Humano" e "autêntico"

"É alguém humano, que compreende as pessoas", estimou Sean McKenna, de apenas 16 anos.

Corbyn é "muito mais autêntico do que a robótica Theresa May", resume Tim Bale, professor da Queen Mary University de Londres. "O programa dos Trabalhistas é cheio de promessas positivas que respondem às preocupações dos eleitores", acrescenta.

Em matéria de segurança, após os atentados que marcaram a campanha eleitoral, prometeu criar 10.000 novos postos policiais, criticando os cortes realizados pelos conservadores.

Corbyn nasceu em Chippenham, no sul da Inglaterra, em 26 de maio de 1949, e tem três filhos, todos homens.

Começou a sua militância política no movimento sindical e em 1983 entrou no Parlamento ocupando o assento de Islington Norte, que defendeu com sucesso em oito eleições gerais.

Como bom britânico de esquerda, inserido numa tradição que remonta a George Orwell, está conectado com a guerra civil espanhola: seus pais eram ativistas que se conheceram durante o conflito.

Não frequentou a universidade e preferiu ir para a Jamaica para trabalhar em uma organização de caridade.

Corbyn foi casado três vezes. Sua primeira esposa foi Jane Chapman. A segunda, a mãe de seus três filhos, é uma chilena chamada Claudia Bracchitta, de quem se divorciou porque ele queria que as crianças frequentassem uma escola normal do bairro, enquanto ela queria uma mais seleta.

Sua terceira e atual esposa é a mexicana Laura Álvarez, que se dedica à importação do café sob as diretrizes do comércio justo.

Embora pareça que o partido esteja finalmente em paz com a sua liderança, ou em trégua eleitoral, Corbyn enfrentou várias tentativas de seus deputados para tirá-lo do jogo.

Agora, com este resultado, pode, no mínimo, assegurar a sua liderança no partido e fazer calar as críticas.

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