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Igreja na cidade iraquiana de Mossul que foi alvo de pichações é vista em 26 de julho de 2014

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Os jihadistas do Estado Islâmico (EI) justificaram a destruição de santuários religiosos na segunda maior cidade do Iraque, Mossul, por considerarem que tinham sido construídos sobre sepulturas, o que é semelhante à idolatria.

"A demolição de estruturas erguidas sobre sepulturas é uma questão muito clara do ponto de vista religioso", afirmou o grupo sunita radical em um comunicado nesta terça-feira.

"Nossos antecessores piedosos fizeram isso (...) e não há nenhum debate sobre a legitimidade de demolir ou remover esses túmulos e santuários", acrescentou o grupo, que tomou várias cidades no norte, no leste e no oeste do Iraque após uma ofensiva lançada em 9 de junho.

O texto faz referência à demolição de uma cúpula erguida sobre o túmulo de Zayd ibn al-Khattab, o irmão do segundo califa do Islã (século VII), por ordem de Mohammad Ibn Abdul Wahhab, o fundador do wahhabismo, uma corrente mais rígida do Islã seguida pelos jihadistas.

Khattab, que teria morrido heroicamente em batalha, ganhou fama póstuma, e Abdel Wahhab via na cúpula construída sobre seu túmulo um objeto de idolatria.

Nos últimos dias, o EI tem destruído importantes locais religiosos em Mossul, a capital do "Califado" proclamado no fim de junho nas áreas controladas pelo movimento no Iraque e na Síria.

Entre esses locais, estão o túmulo do profeta Jonas (Nabi Yunis) e o santuário do profeta Seth (Nabi Chit), considerado o terceiro filho de Adão e Eva na tradição judaica, islâmica e cristã.

Jihadistas também ameaçaram destruir o "corcunda", apelido de um minarete ligeiramente inclinado construído no século XII, símbolo da cidade.

De acordo com o EI, todas as escolas de jurisprudência islâmica "concordaram com o fato de que o uso de uma mesquita construída sobre uma sepultura é contrário ao Islã". A posição é contestada por muitos especialistas.

Harith al-Dhari, presidente do Comitê dos Ulemás Muçulmanos, principal organização sunita no Iraque, condenou fortemente a demolição de locais de culto pelo EI.

O comitê descreve a destruição como uma "imensa perda para o povo de Mossul, que viam essas mesquitas como lugares emblemáticos (...), como parte de sua cultura e sua história", disse em um comunicado esse líder religioso, por muito tempo considerado como um partidário do EI.

AFP