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João Lourenço em Luanda, dia 19 de agosto de 2017

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João Lourenço, general aposentado de 63 anos, fiel ao regime e herdeiro político ideal, será o próximo presidente de Angola, após os resultados oficiais das eleições gerais divulgados nesta quinta-feira. Sua eleição põe fim a 38 anos de poder de José Eduardo dos Santos.

Lourenço, ex-ministro de Defesa e candidato do Movimento para a Liberação de Angola (MPLA), no poder, sucederá Dos Santos, que se aposenta politicamente, em caso da vitória eleitoral bastante provável de sua formação.

"João Lourenço faz parte do primeiro círculo do poder", resume Didier Péclard, pesquisador da Universidade de Genebra. "É um fiel do partido, um homem de consenso".

Desde os anos 1970, todo o percurso de João Manuel Gonçalvez Lourenço -um homem discreto, pouco habituado aos estrados- reflete uma imensa lealdade ao partido, mas também sua sede de poder.

"Há tempos que me preparo para este cargo", admitiu em fevereiro quando anunciou oficialmente sua candidatura.

Nascido em 5 de março de 1954 em Lobito (oeste), Lourenço cresceu em uma família muito comprometida politicamente. Seu pai, enfermeiro, ficou três anos na prisão por atividade política ilegal.

Influenciado pelo marxismo-leninismo, Lourenço estudou história na antiga União Soviética, que, durante a Guerra Fria formou as jovens figuras emergentes da descolonização na África.

- Ascensão -

Lourenço se somou à luta pela libertação de Angola em 1974, após a queda da ditadura em Portugal, que levou à independência um ano depois.

Em 1984, se tornou o governador da província de Moxico (leste) e iniciou sua ascensão no partido.

Mas foi somente em 2014 que o general Lourenço ganha destaque, ao assumir o cargo de ministro da Defesa.

Sua nomeação à vice-presidência do MPLA em agosto passado o fez entrar no estreito círculo dos possíveis herdeiros políticos.

O presidente Dos Santos, suspeito de quer impor um membro de sua família ou o atual vice-presidente Manuel Vicente, acusado por corrupção em Portugal, acabou aceitando a opinião dos dirigentes do partido, que optavam por João Lourenço.

"É ideal para Dos Santos", opina Alex Vines, do think-tank britânico Chatham House.

"Ele é respeitado pelos militares, não tem o trem de vida de outros hierarcas e sua esposa tem uma boa reputação de tecnocrata que deverá atrair o voto das mulheres", acrescenta.

Ana Dias Lourenço foi ministra de 1997 a 2012, e representou Angola no Banco Mundial.

Apesar de sua imagem de moderado, os adversários do regime não esperam nada com a chegada ao poder de João Lourenço, considerado como o homem do sistema.

"É um general duro", garante o jornalista Rafael Marques de Morais.

"É um militar, tem mentalidade hierárquica. Dá ordens, os demais obedecem", acrescenta Luaty Beirão, rapper e adversário do regime.

"Vamos continuar o trabalho de Agostinho Neto (primeiro presidente de Angola independente), que o próprio presidente Dos Santos tem seguido até hoje", prometeu Lourenço no domingo, ao fim de sua campanha eleitoral.

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AFP