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Jornalista desaparecido: Ancara acusa Riad de não colaborar e Trump ameaça

Bandeira saudita ondula no consulado do Reino em Istambul

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A Turquia acusou neste sábado (13) a Arábia Saudita de não cooperar nas investigações em torno de Jamal Khashoggi, o jornalista dissidente que desapareceu em Istambul.

Além disso, o presidente americano, Donald Trump, ameaçou os sauditas com uma "severa punição" se for provado que Riad está por trás desse caso.

As autoridades sauditas negam enfaticamente terem dado a ordem de matar o jornalista dissidente e crítico a seu governo.

Uma delegação saudita deve manter conversas neste fim de semana em Ancara com autoridades turcas em conexão com a investigação do caso, que despertou a profunda preocupação de vários países ocidentais, incluindo os Estados Unidos, onde Khashoggi se exilou em 2017.

O Ministério das Relações Exteriores turco acusou Riad de não cooperar nas investigações sobre o desaparecimento do jornalista e exigiu que os sauditas deixem seus investigadores entrarem no consulado saudita de Ancara.

"Ainda não vimos nenhuma cooperação para garantir uma investigação rápida e esclarecer tudo, queremos ver", disse o ministro das Relações Exteriores, Mevlut Cavusoglu, à agência de notícias Anadolu.

Ele enfatizou que Riad deve permitir que "promotores e especialistas entrem no consulado".

Trump, por sua vez, declarou que que a Arábia Saudita pode estar por trás do desaparecimento e advertiu que Washington infligiria "severa punição" se isso for verdade.

"Vamos chegar ao fundo disso e haverá uma severa punição", afirmou Trump à CBS, segundo trechos de uma entrevista divulgados neste sábado.

"Por enquanto, eles (os sauditas) negam o envolvimento, e negam vigorosamente. Será que poderiam ser eles? Sim", afirmou Trump na entrevista que será transmitida na íntegra no domingo.

Mais tarde, o presidente americano disse estar pessimista sobre o destino do jornalista. "A nossa primeira esperança era que não o tivessem matado, mas (a situação) não parece muito boa (...) pelo que ouvimos", disse a repórteres na Casa Branca.

- Delegação saudita -

"As teorias que circulam sobre ordens para matá-lo são mentiras e acusações infundadas", protestou neste sábado o ministro saudita do Interior, o príncipe Abdel Aziz bin Saud Nayef, em declarações dadas à agência de notícias oficial SPA.

A delegação saudita, que chegou a Ancara na sexta-feira, deve colaborar com um grupo de trabalho cuja criação foi anunciada pelo porta-voz do presidente turco, Recep Tayyip Erdogan.

Ancara afirma que Riad aceitou, a princípio, uma busca nas instalações consulares, mas que isso ainda não era possível porque os dois lados estavam divergindo sobre como entrar no que é considerado diplomaticamente um território controlado pelos sauditas.

- Relógio inteligente -

De acordo com vários jornais da Turquia, o jornalista estava usando um smartwatch, que permite gravações, quando entrou no consulado saudita em Istambul, em 2 de outubro, onde foi visto pela última vez. Este relógio estaria conectado ao telefone que estava com sua noiva, Hatice Cengiz, que o esperava do lado de fora.

Os jornais afirmam que as gravações de áudio transmitidas ao telefone atualmente estão sendo examinadas pelo sistema de justiça turco. No entanto, enquanto o jornal Milliyet afirma que houve gritos e uma briga, o jornal Sözcü informa que na gravação podem ser ouvidos diálogos, mas não gritos, em um áudio "de vários minutos".

O jornal turco ligado ao governo de Sabah afirma que Jamal Khashoggi registrou com o relógio seu próprio "interrogatório", as "torturas" que sofreu e seu "assassinato" dentro da delegação saudita.

No entanto, não existe qualquer confirmação oficial dessas informações.

O Washington Post informa que a Turquia teria dito aos Estados Unidos que possui gravações de áudio e vídeo mostrando como Khashoggi foi "interrogado, torturado e depois morto" dentro do consulado, antes de seu corpo ser desmembrado.

Riad afirma que naquele dia as câmeras do consulado não estavam funcionando.

A polícia turca também indicou que uma equipe de 15 sauditas chegou a Istambul no mesmo 2 de outubro. Segundo a mídia turca, eles foram matar o jornalista e pegaram as imagens das câmeras de vigilância antes de deixar o país.

O ministro do Interior saudita disse neste sábado que seu país "respeita as regras e convenções internacionais".

A Casa Branca e o secretário de Estado, Mike Pompeo, reuniram-se com o príncipe herdeiro, Mohamad bin Salman.

O caso Khashoggi também reduziu o entusiasmo de investidores que, há um ano, ficaram empolgados com os projetos econômicos faraônicos do príncipe herdeiro, como o bilionário britânico Richard Branson, que suspendeu vários de seus planos no reino.

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