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O jornalista francês Loup Bureau, em Paris, em 17 de setembro de 2017

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O jornalista francês Loup Bureau chegou a Paris, neste domingo (17), após passar 51 dias preso na Turquia, acusado de pertencer a uma "organização terrorista armada", motivo pelo qual pode ser julgado à revelia pela Justiça turca.

O repórter, de 27 anos, foi detido em 26 de julho na fronteira entre Iraque e Turquia. Com ele, foram encontradas fotografias, nas quais Loup aparece na companhia de combatentes curdos sírios das YPG. O movimento é considerado "terrorista" por Ancara.

Segundo sua defesa, essas imagens remontam a 2013, quando fez uma reportagem sobre as condições de vida da população síria. A matéria foi transmitida pela rede francesa TV5 Monde.

Ao chegar ao aeroporto Charles de Gaulle, em Paris, era esperado pela família e por sua namorada. A ministra francesa da Cultura, Françoise Nyssen, também estava lá.

Em suas primeiras declarações à imprensa, Bureau disse estar "muito aliviado de voltar" para a França.

"Estou muito cansado, mas muito feliz de estar aqui", afirmou, acrescentando que, "até o fim, não sabia se poderia vir embora".

Suas condições de detenção foram, no início, "um pouco complicadas", admitiu.

"Não fui maltratado fisicamente, mas houve, sim, ameaças, intimidações", desabafou.

"A partir do momento que (o presidente francês, Emmanuel) Macron anunciou que pedia minha libertação, houve mudanças. Os guardiães começaram a entender que eu não era um terrorista", completou o jornalista, que falou com o presidente por telefone ao desembarcar.

No final de agosto, Macron pediu ao presidente turco, Recep Tayyip Erdogan, a "rápida libertação" de Loup.

O pai do repórter garantiu que, no momento da detenção, seu filho "foi tratado como os prisioneiros curdos, sofrendo maus-tratos físicos e psicológicos".

Mais tarde, "na prisão, as coisas se normalizaram", acrescentou.

Bureau ficou preso por 51 dias em Sirnak, cidade do sudeste da Turquia.

Anunciada na última sexta (15) após a visita do ministro francês das Relações Exteriores, Jean-Yves Le Drian, a Ancara, sua soltura foi descrita como um "grande alívio" por Macron.

Loup Bureau continua, porém, sob a ameaça de uma eventual condenação.

"Se for condenado, pode ser alvo de uma ordem de prisão, o que o impediria de trabalhar no restante do mundo", afirmou o secretário-geral da ONG Repórteres sem Fronteiras (RSF), Christophe Deloire, que fez companha por sua libertação.

"Para ele, infelizmente, a luta não acabou", acrescentou Deloire.

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AFP