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Jornalistas são atacados durante manifestação do esquerdista Castillo no Peru

O candidato presidencial de esquerda peruano pelo partido Peru Libre, Pedro Castillo (D), e sua vice-presidente, Dina Boluarte, no norte de Lima, em 18 de maio de 2021. afp_tickers
Este conteúdo foi publicado em 20. maio 2021 - 18:17
(AFP)

Três organizações de imprensa no Peru condenaram nesta quinta-feira (20) o ataque a vários jornalistas por partidários do candidato esquerdista Pedro Castillo, a quem acusaram de incitar esses atos duas semanas antes da votação presidencial contra a direitista Keiko Fujimori.

“O Conselho de Imprensa Peruano e o Instituto de Imprensa e Sociedade condenam o atentado sofrido ontem (quarta-feira) por jornalistas que cobriam uma manifestação do candidato do segundo turno Pedro Castillo, do Peru Libre”, disse um comunicado conjunto.

Ambas as organizações “também condenam que estes atos foram incentivados pelo próprio candidato Pedro Castillo”, a quem recordou que esta semana prometeu defender a liberdade de expressão e de imprensa.

A Associação Nacional de Jornalistas do Peru (ANP) repudiou o ataque e rejeitou o descrédito dos jornalistas.

“A população como um todo tem o direito de discordar, mas em hipótese alguma há espaço para agressão ou violência contra trabalhadores da mídia ou jornalistas independentes que estão na linha de frente”, disse a ANP.

A agressão ocorreu na cidade de Ayacucho, após uma manifestação durante a qual o candidato do partido Peru Libre criticou o papel da imprensa na cobertura eleitoral, sugerindo que esta apóia Fujimori por interesses econômicos.

"Quanto ganham aqueles que apresentam programas de televisão e quem os paga?", perguntou ele de um pódio na rua Castillo, dirigindo-se às centenas de manifestantes que o ouviam.

Um colaborador do candidato atiçou ainda mais os ânimos ao chamar de "imprensa marmelada" os jornalistas que transmitiam o comício. A expressão é usada para acusar os meios de comunicação de serem vendidos e parciais.

Jornalistas do Canal N foram perseguidos por apoiadores do candidato ao final do evento sob insultos e ameaças. Stefanie Medina, uma repórter da emissora, denunciou que levou um chute nas costas e que um cinegrafista foi agredido com pedaços de madeira.

Castillo negou as agressões nesta quinta, após a firme condenação dos sindicatos de imprensa, embora tenha evitado se referir às suas próprias críticas aos jornalistas.

"Investigamos toda atitude que vai contra a liberdade de imprensa", disse o candidato em um vídeo divulgado por sua equipe. "Não se pode permitir as agressões, venham de onde vierem".

Castillo, de 51 anos, enfrentará Keiko Fujimori, de 45, em 6 de junho no segundo turno das eleições. O vencedor assumirá a presidência por cinco anos no dia 28 de julho, substituindo o líder interino Francisco Sagasti.

O candidato da esquerda foi o mais votado no primeiro turno de 11 de abril, com 18,9%, seguido de Keiko Fujimori, com 13,4%, entre um total de 18 candidatos.

Tanto Castillo, um professor de escola rural, quanto Keiko, filha do detido ex-presidente Alberto Fujimori (1990-2000), enfrentam questionamentos de setores que temem que possam se afastar do sistema democrático.

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