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(Arquivo) O ministro brasileiro das Relações Exteriores, José Serra, em Brasília, no dia 12 de setembro de 2016

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O ministro das Relações Exteriores, José Serra, apresentou sua renúncia nesta quarta-feira (22), em carta enviada ao presidente Michel Temer, na qual alegou "problemas de saúde" para justificar sua decisão.

Serra, de 74 anos, pediu sua "exoneração do cargo (...) com tristeza, mas em razão de problemas de saúde" que, informou, são de conhecimento do presidente, e que lhe "impedem de manter o ritmo de viagens internacionais inerentes à função de Chanceler", diz a carta divulgada pelo Palácio do Planalto.

"Isto sem mencionar as dificuldades para o trabalho do dia a dia", prosseguiu este político, que foi ministro da Saúde de Fernando Henrique Cardoso (1995-2002) e duas vezes candidato à Presidência, derrotado em 2002 por Luiz Inácio Lula da Silva, e em 2010 por Dilma Rousseff.

"Segundo os médicos, o tempo de restabelecimento adequado é de pelo menos quatro meses", acrescentou Serra, sem dar mais detalhes sobre a enfermidade de que padece.

Em dezembro, Serra foi operado da coluna no Hospital Sírio Libanês, em São Paulo, estado que governou de 2007 a 2010.

O ministro da Secretaria de Governo, Antonio Imbassahy, confirmou para a AFP que a baixa do chanceler se deve à sua afecção na coluna.

O jornal Folha de S. Paulo noticiou que, por causa dessa lesão, a equipe médica que o atendia o teria proibido de viajar de avião durante quatro meses por risco de sofrer lesão na medula.

A Folha informa ainda que a decisão surpreendeu o presidente, que chegou a pedir a Serra que não deixasse o cargo e apenas entrasse de licença médica.

Ainda segundo a Folha, José Serra teria mostrado os exames ao presidente e argumentado que iria se dedicar "integralmente" ao tratamento nos próximos meses. De qualquer modo, manterá seu cargo no Senado.

- Dança das cadeiras em Brasília

Desde maio, quando substituiu interinamente a presidente afastada Dilma Rousseff, finalmente destituída por manipular as contas públicas, Temer perdeu sete proeminentes figuras de sua administração: seis ministros e um assessor próximo por desavenças internas, acusações de corrupção e, agora, por problemas de saúde.

Serra foi a oitava baixa da gestão Temer.

Até agora, deixaram o governo os ministros Romero Jucá (Planejamento); Fabiano Silveira (Transparência, Fiscalização e Controle); Henrique Alves (Turismo); Marcelo Calero (Cultura); além de Fábio Medina Osório (Advocacia-Geral da União), e um de seus principais articuladores políticos, o ministro Geddel Vieira Lima (Secretaria de Governo).

"Para mim, foi motivo de orgulho integrar sua equipe", declarou Serra na carta a Temer.

"No Congresso, honrarei meu mandato de Senador trabalhando pela aprovação de projetos que visem à recuperação da economia, ao desenvolvimento social e à consolidação democrática do Brasil", concluiu o tucano.

Em sua gestão como chanceler, Serra fez duros pronunciamentos contra o governo de Nicolás Maduro, sendo um dos promotores da suspensão da Venezuela do Mercosul, e alavancou a aproximação com o presidente da Argentina, o liberal Mauricio Macri.

Uma das últimas propostas de Serra era estender pontes com o presidente americano, Donald Trump, diante das fortes críticas do magnata ao México.

Sua renúncia de Serra é uma nova dor de cabeça para Temer, cujo governo vive cercado pelo escândalo de corrupção da Petrobras e tem o desafio de relançar a economia de um país que vive sua pior recessão em um século.

Além do MRE, outro Ministério vacante é o da Justiça, uma pasta bastante cobiçada pelo PMDB.

Segundo jornais, o nome mais cotado para substituir Serra é o líder do governo no Senado, Aloysio Nunes Ferreira, do PSDB.

Ainda na Presidência de Fernando Henrique Cardoso, José Serra assumiu sua primeira pasta, sendo nomeado ministro do Planejamento, em 1995.

Seu período mais lembrado em Brasília, no entanto, foi à frente do Ministério da Saúde, onde implementou um programa pioneiro contra a aids, travando uma batalha legal contra os laboratórios para reduzir os preços dos medicamentos antirretrovirais distribuídos gratuitamente no Sistema Público de Saúde (SUS). Também autorizou a comercialização de remédios genéricos com patentes expiradas.

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AFP