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(Arquivo) O símbolo da luta contra a aids é visto em Islamabad, no dia 30 de novembro de 2013

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Uma jovem francesa de 18 anos, infectada pelo vírus da aids (HIV) durante a gravidez de sua mãe, está em remissão 12 anos após parar de se submeter ao tratamento antirretroviral, um caso inédito no mundo - segundo estudo publicado nesta segunda-feira.

O caso mostra "que uma remissão prolongada após um tratamento precoce pode ser obtido numa criança infectada pelo HIV desde o nascimento", de acordo com a pesquisa francesa apresentada pelo médico Asier Saez-Cirion, do Instituto Pasteur de Paris, durante a 8ª Conferência sobre a Patogênese do HIV, em Vancouver, Canadá.

A mulher não é considerada curada, mas está em ótimo estado de saúde, afirmou a pesquisa conduzida por Saez-Cirion. "Podemos detectar o HIV nas células, mas não detectamos a replicação viral no plasma", explicou o cientista à AFP.

"Ainda não sabemos como a garota conseguiu controlar a infecção", disse. Ela não apresenta os fatores genéticos associados ao controle natural da infecção - observados num raro grupo de pacientes.

"É provável que ela esteja em remissão virológica há tanto tempo porque ela recebeu uma combinação de antirretrovirais logo após ter sido infectada", descreveu o relatório.

A jovem, cuja identidade não foi revelada, foi possivelmente infectada com o HIV no útero ou durante o parto.

Quando ela tinha cinco anos, sua família saiu do programa de tratamento por razões desconhecidas. Ao retornar ao tratamento médico um ano depois, verificou-se "que ela tinha uma carga viral indetectável".

Os médicos decidiram então não retomar o tratamento, e passaram a monitorá-la.

Os pesquisadores afirmaram que o caso raro reforça cada vez mais evidências em adultos de que iniciar o tratamento imediatamente após a infecção pelo HIV é essencial.

O caso "sugere que a remissão a longo prazo após o tratamento precoce é possível em crianças infectadas pelo HIV", apontou o relatório.

- Caso único -

"Este caso vai ser inspirador para as pessoas que vivem com o HIV e as que trabalham na área", disse a cientista Sharon Lewin, que co-presidiu um simpósio no início desta semana sobre a possibilidade de encontrar uma cura para o HIV.

"Minha única reserva é que trata-se de um caso único", disse Lewin à AFP.

"Também é incerto se a adolescente teria controlado (sua infecção por HIV) sem qualquer tratamento. Sabemos que um por cento das pessoas infectadas controlam naturalmente esse vírus e não necessitam de tratamento".

O caso da menina pode não ser único, mas é o primeiro identificado pelos pesquisadores, disse Saez-Cirion.

"Estou certo de que haverá outros no futuro", disse ele, notando que ainda há relativamente poucos estudos de crianças infectadas no nascimento que agora são jovens adultos e foram monitorados durante toda a vida.

Lewin alertou que ninguém deve tornar-se complacente sobre encontrar uma cura em face da crescente evidência que mostra que é possível tratar o HIV.

"A realidade é que existem ainda dois milhões de novas infecções e 1,5 milhões de mortes por ano a partir do HIV e 35 milhões de pessoas vivem com o HIV", ponderou Lewin.

"Se nós realmente podemos financiar isso, sustentar e manter o cuidado a essas pessoas ao longo da vida ainda não está claro".

Saez-Cirion disse que os resultados oferecem uma direção para futuras pesquisas.

O caso "mostra que a remissão é possível, mas rara. Precisamos entender por que não é comum, e quais mecanismos estão (envolvidos) para que possamos tratar uma população maior".

AFP