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Jovens latinos desafogam as mágoas pelo ano perdido devido à pandemia

Para muitos jovens latinos, 2020 seria um ano de liberdade e oportunidades, mas a pandemia trouxe o confinamento e a frustração afp_tickers
Este conteúdo foi publicado em 13. agosto 2020 - 12:11
(AFP)

Para muitos jovens latino-americanos, 2020 seria um ano de liberdade e oportunidades, mas a pandemia trouxe o confinamento e a frustração. As aulas passaram a ser on-line e os encontros com amigos sumiram, comemorações da maioridade foram canceladas e os primeiros amores interrompidos.

Sua única esperança? Que tudo acabe logo.

- Sofia, 19, especialista em piruetas

2020 seria crucial para a promissora bailarina Sofía Shaw. Natural de Chillán, no sul do Chile, Sofia se mudou para a capital, Santiago, graças à sua perseverança e ao apoio de sua mãe, que trabalha como empregada doméstica para financiar a vocação da filha.

Sofia entrou na Escola de Ballet do Teatro Municipal de Santiago em 2019. Com o pai ausente, mãe e filha se uniram para a realização do sonho.

"Para o ano de 2020 disse a mim mesma: 'vou com tudo, vou melhorar muito, vou me sair super bem'", estimou a jovem antes da pandemia. Mas em março, quando as aulas se aproximavam, sua vida parou.

As aulas on-line não são a mesma coisa para a bailarina, que até instalou uma barra para praticar em seu pequeno apartamento.

- Jazmín, 17, faculdade sem aulas

Para Jazmín Islas, seu último ano no ensino médio em La Plata, Argentina, deveria ser intenso e divertido. Mas acabou sendo destruído.

"Isso me afetou muito, eu tinha muitas expectativas. Achei que este ano seria muito divertido".

Quando chegou o momento dos "rituais" pré-universitários no primeiro dia do último ano do ensino médio, Jazmín e seus colegas de classe chegaram com os rostos pintados, acendendo fogo e dançando ao ritmo de uma batucada sem pensar que o dia seguinte seria o último.

Nas aulas, que passaram a ser realizadas no Zoom, muitos alunos acabam dormindo ou não se acostumam com as mudanças. "É deprimente", diz ela.

- Felipe, 19, uma vida universitária em pausa

Numa terça-feira, Felipe Paz começou suas aulas de Economia e Comunicação na Universidade da República, em Montevidéu. Mas três dias depois foram suspensas, quando o Uruguai decretou o estado de emergência.

Ao contrário dos vizinhos Brasil e Argentina, o Uruguai registra relativamente poucos mortos e nunca voltou ao confinamento obrigatório, o que permitiu que Felipe visitasse sua namorada, Victoria.

Mas com as medidas de distanciamento social e as aulas on-line, o jovem fã de futebol admite que as amizades mudaram.

"Algo tão impactante e sem precedentes muda nossa forma de perceber as pessoas. Agora tenho muito mais apreço por um amigo e outros são menos importantes do que eu imaginava".

- Francisco, 20, aniversários por delivery

Francisco Ávalos, de 20 anos, conseguiu comemorar apenas o primeiro mês com sua nova namorada, Guadalupe, antes que a quarentena fosse imposta em Buenos Aires, a capital argentina.

Não aconteceram mais "aniversários" mensais para o casal, que vive separado por cerca de 40 km.

No quarto mês, Francisco sentiu que precisava encontrar alguma maneira de dizer "continuo aqui".

Ele teve então a ideia de surpreendê-la enviando um café da manhã; Guadalupe correspondeu com alguns donuts, os preferidos de Francisco. Depois mandaram hambúrgueres, tortas...

"É uma forma de se esquivar da quarentena", afirma.

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