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Juiz acusa Kirchner por corrupção e pede prisão preventiva

A ex-presidente argentina Cristina Kirchner chega a uma corte federal em Buenos Aires no dia 3 de setembro de 2018. afp_tickers
Este conteúdo foi publicado em 17. setembro 2018 - 22:23
(AFP)

A ex-presidente argentina Cristina Kirchner foi acusada formalmente por envolvimento no escândalo de subornos em troca de obras públicas conhecido como "Cadernos da corrupção", informou a imprensa local nesta segunda-feira.

Com este caso, Cristina Kirchner (2007-2015) passa a responder a seis processos, mas continuará em liberdade por ter foro privilegiado por ocupar o cargo de senadora, mesmo após um pedido de prisão preventiva.

A ex-presidente "é considerada chefe de uma associação ilícita", apontou o Centro de Informação Judicial (CIJ).

O juiz federal encarregado do caso, Claudio Bonadio pediu ao Senado a suspensão do foro privilegiado de Kirchner.

Bonadio também acusou e pediu a prisão preventiva de 17 ex-funcionários e 13 empresários. Deste total, cinco ex-funcionários e nove empresários permanecerão em liberdade por terem colaborado com a justiça, entre eles Ángelo Calcaterra, primo do presidente argentino, Mauricio Macri.

Outros sete empresários, quatro ex-funcionários e um ex-juiz estão sendo processados em liberdade.

Bonadio também congelou 4 bilhões de pesos (100 milhões de dólares) em bens de todos os processados.

Há três semanas, o juiz autorizou buscas e apreensões em três residências de Kirchner, uma em Buenos Aires e duas na Patagônia, ao sul do país.

Kirchner esteve duas vezes diante do juiz Bonadio, que investiga o pagamento de subornos milionários por parte dos mais importantes empresários argentinos para obter contratos de construção de obra pública entre 2003 e 2015.

A ex-presidente, que nega as acusações, pediu - sem sucesso - o impedimento do juiz e do procurador Carlos Stornelli.

A justiça também lhe negou um pedido de adiamento de audiência e Kirchner será interrogada nesta terça-feira pelo juiz Sebastián Casanello, em outra causa, que investiga suposta lavagem de dinheiro.

Kirchner está sendo investigada ainda por suposta corrupção e acobertamento a iranianos no caso do atentado à AMIA.

Em uma extensa decisão, de 500 páginas, Bonadio concluiu que "a associação ilícita foi comandada por (já falecido) Néstor Kirchner e Cristina Kirchner", durante cujos governos funcionou na Argentina "uma máquina de procedimentos escusos para tirar dinheiro do Estado".

O objetivo era "distribuir propinas entre funcionários corruptos (...) pagas por um seleto grupo de empresários que também encheram seus bolsos mediante concessões para obras públicas".

Bonadio considerou que "o produzido por esses subornos era usado" para financiar ilegalmente campanhas eleitorais ou "vinculadas à gestão política do governo e de organizações-satélite para comprar vontades do Poder Judiciário" ou "tarefas de Inteligência política".

"Mas o grosso desses fundos foi destinado a aumentar de maneira espúria e ilegal o patrimônio pessoal de quem, entre os anos 2003 e 2015, ocupou os mais altos cargos da República", destacou o juiz.

O escândalo veio à tona após a revelação de anotações de um motorista do ministério do Planejamento que entregava as propinas sob a forma de malas de dinheiro.

Estas anotações, feitas em cadernos escolares, se somaram às confissões de uma dúzia de envolvidos que decidiram colaborar com a justiça.

Em um vídeo divulgado no domingo, a ex-presidente mostrou alguns danos durante os três dias de busca em sua casa em El Calafate e responsabilizou o juiz. "Foi mais um capítulo de humilhação e perseguição", denunciou.

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