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Justiça argentina confirma processo a Kirchner por 'cadernos da corrupção'

A justiça argentina confirmou o processo à ex-presidente e atual senadora Cristina Kirchner pelo caso conhecido como "os cadernos da corrupção" afp_tickers
Este conteúdo foi publicado em 20. dezembro 2018 - 18:29
(AFP)

A justiça argentina confirmou nesta quinta-feira (20) o processo à ex-presidente e atual senadora Cristina Kirchner pelo caso conhecido como "os cadernos da corrupção", uma rede de supostos subornos que envolve dezenas de empresários e ex-funcionários do governo.

A Câmara Federal considerou Kirchner chefe de uma organização criminosa e ratificou seu processo, que se dará em julgamento oral, assim como o pedido de prisão preventiva que já foi feita pelo juiz Claudio Bonadio e um embargo de uma quantia de 1,5 bilhão de pesos (38 milhão de dólares), segundo uma resolução.

Cristina Kirchner - figura mais popular de uma oposição fragmentada - tem foro parlamentar. Até agora, o Senado não discutiu o pedido do juiz Bonadio para retirar sua imunidade.

Pouco após a decisão ser publicada, Kirchner criticou o governo do presidente Mauricio Macri.

"Eu digo: onde foram escritas as sentenças? Tudo a pedido e na medida de Macri", afirmou em um tuíte.

A Câmara Federal também confirmou o processo com prisão preventiva e embargo de 1,2 bilhão de pesos (30 milhões de dólares) ao ex-ministro de Planejamento Julio de Vido na qualidade de organizador da organização criminosa.

De Vido se encontra na prisão desde outubro de 2017 por outros casos. Em outubro ele foi condenado a cinco anos e oito meses de prisão por um acidente ferroviário que causou 51 mortes em 2012.

No total, a Câmara Federal confirmou o processo a 37 pessoas e revogou a prisão preventiva de alguns ex-funcionários de menor escalão e de vários empresários, mas eles continuarão acusados de corrupção ativa.

- Atingidos -

Cristina Kirchner, da centro-esquerda do peronismo e que governou a Argentina entre 2007 e 2015, é acusada de ter liderado uma rede de corrupção mediante a qual recebia pagamentos em dólares por parte de empresários que desejavam obter licitações de construção de obra pública.

A acusação estimou em pelo menos 160 milhões de dólares o montante dos subornos que também teriam sido pagos entre 2003 e 2007, durante o governo de seu marido, o já falecido Néstor Kirchner.

O caso, iniciado em meados do ano, atingiu praticamente a todo o setor da construção na Argentina e atingiu a família do presidente Maurício Macri.

Franco e Gianfranco Macri, pai e irmão do presidente, foram citados a declarar na semana passada diante o juiz Bonadio para que respondam a denúncias que envolvam a companhia Autopistas del Sol, parte do conglomerado Socma (Sociedade Macri).

Franco Macri não compareceu ante Bonadío alegando razões de saúdem, e seu filho Gianfranco foi e pediu para ser inocentado.

O empresário Angelo Calcaterra, primo do presidente, também se encontra envolvido neste processo.

O caso se baseia em uma série de cadernos de anotações feitas por anos por um motorista do ministério de Planejamento, nos quais anotava nomes de funcionários e de empresarios e quantias de dinheiro.

À medida que o caso avançou, vários acusados se declararam arrependidos e começaram a colaborar com a justiça em troca de liberdade.

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