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Policiais, no hospital Miguel Couto, para onde a turista espanhola ferida foi levada, no Rio de Janeiro, 23 de outubro de 2017

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A Justiça concedeu nesta terça-feira (24) liberdade provisória ao policial que efetuou o disparo que matou uma turista espanhola na comunidade da Rocinha, na zona sul do Rio de janeiro, mas o oficial continua detido, sob a acusação de ter cometido um crime militar.

O tenente da Polícia Militar (PM) Davi dos Santos Ribeiro, acusado de homicídio doloso qualificado na Justiça comum, foi libertado provisoriamente esta tarde por ordem do juiz Juarez Costa de Andrade, que considerou em sua decisão que apesar do "trágico evento" que chocou o mundo, o policial "possui imaculada ficha funcional, não havendo indícios de que solto possa reiterar o comportamento criminoso ocorrido à luz do dia".

No entanto, o tenente continuará detido preventivamente em um batalhão da Polícia, acusado de disparo de arma de fogo em via pública, o que é considerado um crime militar, informou à AFP uma fonte da PM.

O tenente foi preso em flagrante na segunda-feira, junto com outro soldado da PM, supostamente envolvido nos fatos.

O caso ocorreu na manhã da segunda-feira, quando a turista espanhola Maria Esperanza Jiménez Ruiz, de 67 anos, foi baleada e morta enquanto fazia, junto com dois familiares, um tour pela Rocinha, a maior favela da cidade, situada em São Conrado (zona sul).

Segundo as primeiras investigações, o veículo que transportava o grupo de turistas furou o bloqueio policial em uma estrada da comunidade, que vive sob fogo cruzado há semanas devido a confrontos entre bandos de traficantes rivais e onde uma hora antes foi registrado um tiroteio entre forças de segurança e supostos criminosos.

O carro foi alvejado por disparos de fuzil efetuados pela Polícia Militar. Duas balas entraram pelo vidro traseiro e uma delas feriu no pescoço a espanhola, que chegou a ser socorrida com vida e levada ao hospital Miguel Couto, no Leblon, mas não resistiu aos ferimentos e morreu.

O motorista do veículo, um italiano que vive há quatro anos no Brasil, negou em suas declarações às autoridades ter recebido ordem de parar e disse que não percebeu nenhum bloqueio policial.

- Turismo e Polícia nas favelas -

O episódio causou preocupação por seus possíveis impactos no turismo, um setor-chave para a economia do Rio, estado à beira da falência e afetado pela retomada brutal da violência desde o fim dos Jogos Olímpicos de 2016.

O prefeito Marcelo Crivella defendeu as visitas de turistas às favelas, desde que bem organizadas.

"Nós tivemos uma tragédia porque um oficial da Polícia Militar agiu de maneira completamente fora do protocolo", avaliou Crivella, citado pelo portal de notícias G1.

Organizações de turismo comunitário nas favelas asseguraram que o trágico episódio poderia ter sido evitado se os espanhóis tivessem contratado guias da comunidade, que conhecem os perigos e as dinâmicas das favelas, onde vive um quarto da população do Rio, e que com base nisto decidem se é possível ou não fazer um tour.

"Mas um dia que me entristeço, por mais uma atitude de policiais despreparados, onde eles sempre usam a cultura de atirar primeiro para perguntar depois! É INADIMISSÍVEL, porém não é só pela vida da turista Espanhola, mas também pela vida dos menos favorecidos que vivem em Favelas e sofrem todos os dias com essas atitudes precipitadas (sic)", escreveu em sua página no Facebook Gilson Fumaça, um dos primeiros guias comunitários da comunidade Santa Marta, em Botafogo, também na zona sul.

A Polícia Militar do Rio de Janeiro é uma das que mais morre e mais mata no Brasil. Os PMs do Rio mataram quase 8.000 pessoas na última década, sendo 645 em 2015 e mais de 900 em 2016, a maioria em operações em comunidades, segundo cifras do Instituto de Segurança Pública do Estado.

Organizações de defesa dos direitos humanos, como a Human Rights Watch (HRW), têm denunciado o aumento dos casos de abusos de parte da polícia brasileira, especialmente nas favelas cariocas, onde os constantes tiroteios e as mortes por balas perdidas demonstram que o programa de pacificação, iniciado em 2008, agoniza.

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AFP