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(Arquivo) Um homem segura uma foto do compositor chileno Víctor Jara, em Santiago, no dia 5 de dezembro de 2009

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Uma corte federal americana condenou nesta segunda-feira (27) o ex-oficial chileno Pedro Pablo Barrientos Núñez pelo assassinato do compositor Víctor Jara, em 1973, e ordenou uma indenização de US$ 28 milhões à família da vítima.

Em duas semanas, em um processo civil, seis jurados decidiram um dos mais emblemáticos casos de violação dos direitos humanos cometidos durante a ditadura de Augusto Pinochet (1973-1990).

Do lado de fora do tribunal federal no centro de Orlando, no estado da Flórida, a viúva do cantor, Joan Jara, de 89, disse estar "feliz" por conseguir alguma justiça 43 anos depois do crime.

"Feliz, no sentido do que tentamos fazer por mais de 40 anos. Hoje foi por Víctor", afirmou, acompanhada das duas filhas.

"Este foi o primeiro sinal de justiça neste caso, e aconteceu aqui nos Estados Unidos", completou.

A defesa de Barrientos advertiu que poderá apelar da decisão.

"Obviamente, estamos decepcionados. Vamos explorar nossas opções em relação às apelações", disse seu advogado, Luis Calderón.

Em 12 de setembro de 1973, um dia depois do golpe de Estado que derrubou Salvador Allende, o popular folclorista chileno foi detido e torturado com outros 5.000 prisioneiros. Ele faleceu cinco dias depois no então Estádio Chile, hoje conhecido como "Víctor Jara".

Onze ex-militares foram processados no Chile pela morte do cantor e compositor, mas Barrientos é apontado como principal responsável.

Jara era militante do Partido Comunista e ferrenho defensor do projeto de Unidade Popular liderado pelo presidente socialista Salvador Allende entre 1970 e 1973. Seu assassinato inspirou dezenas de músicos no mundo todo, desde Joan Báez a Bono.

O regime militar de Pinochet deixou mais de 3.200 mortos.

AFP